Baseados na poesia de Patativa do Assaré (1995) - "Meu Avô Tinha Razão e a Justiça tá errada". Marque a alternativa CORRETA referente a problemática que Patativa se refere: Do campo até a cidade Atrapaiando a verdade Sempre existe uma Caipora Vou falá pro mundo intêro Como eu era de premêro E como tô sendo agora ... Meu avô munto correto Dizia:querido neto, Use de sua sinceridae, Iscute bem o que eu digo Nunca merce castigo Quem sempre diz a verdade. ... Mas por pintura do diabo, O Coroné Mané Brabo Começou uma questão e Tumou no pé de serra Trinta tarefas de terra Do Francisco Damião. Damião tinha direito Mas porém não houve jeito, Perdeu para o fazendeiro A gente logo discobre Que o Damião era pobre, E o Brabo tinha dinhêro... ... Meu avó tinha razão E a justiça tá errada.
- A)Reforma Agrária;
Errada, porque reforma agrária é a redistribuição legal de terras para combater a concentração fundiária, e não a tomada injusta narrada no poema.
- B)Desapropriação de terras;
Errada, porque desapropriação é um ato do poder público, com base legal e indenização quando cabível, e não uma apropriação fraudulenta por fazendeiro.
- C)Grilagem de terras;
Certa, porque o texto descreve a tomada irregular da terra do pequeno proprietário por alguém com poder e dinheiro, o que caracteriza grilagem.
- D)Arrendamento de terras;
Errada, porque arrendamento é um contrato lícito de uso da terra mediante pagamento, sem fraude ou espoliação do dono.
- E)Aquisição de terras.
Errada, porque aquisição de terras é uma forma normal e legítima de compra ou obtenção da propriedade, diferente da perda injusta mostrada no enunciado.
Gabarito: C
A poesia de Patativa do Assaré aponta uma injustiça bem comum no mundo agrário brasileiro: a tomada irregular de terra de pequeno produtor por quem tem poder econômico e político. No caso narrado, Francisco Damião tinha direito sobre a área, mas acabou perdendo a terra para o fazendeiro mais rico, o que mostra uma apropriação fraudulenta, feita à margem da lei e da justiça social. Esse tipo de prática é conhecido como grilagem de terras. Em termos simples, é quando alguém se apodera de terra pública ou privada usando fraude documental, falsificação de títulos, pressão econômica ou até violência. Historicamente, isso foi muito frequente no campo brasileiro, especialmente em regiões de fronteira agrícola, onde a terra passa a valer mais e a disputa fica mais pesada. A alternativa correta é a C porque o poema retrata exatamente essa lógica: o pobre perde a terra para o rico, não por falta de direito, mas por desigualdade de força e por manobra irregular. Ou seja, não se trata de compra legítima nem de arrendamento, e muito menos de uma reforma agrária, que seria a redistribuição de terras para corrigir a concentração fundiária. Na prática, a grilagem é uma das raízes da concentração fundiária no Brasil. A Constituição Federal protege o direito de propriedade, mas também exige que a propriedade rural cumpra função social (art. 5º, XXIII, e art. 186). Quando a terra é tomada de modo fraudulento, o problema não é só jurídico: é social, histórico e profundamente rural.