Nos tópicos a seguir, são apresentados alguns resultados obtidos em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE). • O número de pessoas abaixo de 30 anos de idade no país caiu 5,4% entre 2012 e 2021; no mesmo período, a população brasileira cresceu 7,6%, chegando a estimados 212,7 milhões de habitantes em 2021 (o censo demográfico de 2022 apontou 203,1 milhões de habitantes). • Em dez anos, a parcela de pessoas com 60 anos ou mais de idade passou de 11,3% para 14,7% da população. • De 2012 a 2021, a razão de dependência dos jovens caiu de 34,4 para 29,9 por cada 100 pessoas potencialmente ativas; já a razão de dependência dos idosos aumentou, no mesmo período, de 11,2 para 14,7. Internet: <agenciadenoticias.ibge.gov.br> (com adaptações). A partir dos resultados da pesquisa mencionada no texto precedente, assinale a opção correta.
- A)O crescimento da população idosa gera preocupação com a saúde pública e com o sistema previdenciário, dada a necessidade de se garantir um final de vida com dignidade a essa parcela da população.
Certa: o envelhecimento populacional aumenta a pressão sobre saúde pública e previdência, exigindo políticas de cuidado e proteção social.
- B)A queda do número de pessoas com menos de 30 anos de idade implica redução da escolaridade e, consequentemente, acarreta uma menor qualificação da mão de obra.
Errada: a redução do contingente jovem não implica automaticamente queda da escolaridade nem menor qualificação da mão de obra.
- C)A queda da razão de dependência dos jovens é um aspecto positivo pois desobriga o Brasil de construir mais escolas e de melhorar a qualidade do ensino público.
Errada: a menor razão de dependência dos jovens não dispensa investimentos em educação nem resolve os desafios da qualidade do ensino.
- D)O aumento da razão de dependência dos idosos aponta para a necessidade do aumento da taxa de fecundidade para suprir a mão de obra qualificada que está saindo do mercado de trabalho.
Errada: o envelhecimento não leva à necessidade de aumentar a fecundidade; o problema se enfrenta com políticas de produtividade, previdência e cuidado ao idoso.
- E)O crescimento populacional do Brasil aponta para uma crescente taxa de natalidade desde o incentivo estatal do desenvolvimentismo industrial do início do século XX.
Errada: o crescimento populacional do período não autoriza concluir aumento de natalidade, pois ele pode ocorrer mesmo com queda da fecundidade, por efeito da estrutura etária e da longevidade.
Gabarito: A
O enunciado fala de uma mudança bem importante na estrutura etária do Brasil: há menos jovens e mais idosos. Isso é o chamado envelhecimento populacional, que costuma aparecer quando a fecundidade cai, a expectativa de vida sobe e a base da pirâmide etária vai afinando. Na prática, a população fica menos jovem e o peso relativo dos idosos aumenta. Quando cresce a parcela de pessoas com 60 anos ou mais, aumentam também as demandas por saúde, cuidados continuados e previdência. É preciso pensar em mais atendimento médico, medicamentos, reabilitação e proteção social para garantir dignidade nessa fase da vida. Em concurso, a banca adora ligar envelhecimento com pressão sobre o sistema previdenciário e sobre as políticas públicas de saúde. É por isso que a alternativa A está correta: ela traduz exatamente uma consequência esperada do envelhecimento populacional. Não é só uma questão de números bonitos em tabela, é impacto real no orçamento público e na organização do Estado. A CF/88, no art. 230, reforça o dever da família, da sociedade e do Estado de amparar as pessoas idosas, assegurando sua dignidade e bem-estar. As demais alternativas exageram ou inventam conclusões que não decorrem automaticamente dos dados. Menos jovens não significa, por si só, menos escolaridade ou menos qualidade de ensino, e a queda da dependência juvenil não elimina a necessidade de escolas. Também não faz sentido associar envelhecimento a aumento de fecundidade, porque o raciocínio demográfico costuma apontar justamente o contrário.