O Brasil desperdiça muita energia nos transportes. O automóvel mais vendido no Brasil, por exemplo, gasta 2 megajoules de energia por quilômetro para transportar um passageiro — 63 vezes a quantidade de energia usada por uma bicicleta elétrica para fazer o mesmo trajeto (cerca de 0,03 megajoule). Os modelos luxuosos tampouco são mais eficientes: para fazer o transporte de um único passageiro, uma Bugatti Veyron — um dos carros mais caros do mundo — usa a mesma quantidade de energia de 175 patinetes elétricos. Internet: www.mobilize.org.br (com adaptações). Assinale a opção que apresenta uma das alternativas viáveis mais imediatas para reduzir o problema apontado no texto precedente.
- A)abertura de túneis para um sistema metroviário que articule os centros das grandes cidades brasileiras
Errada, porque abrir túneis metroviários é uma solução estrutural e demorada, não uma alternativa imediata para reduzir o desperdício energético do transporte.
- B)construção de ciclovias nas áreas de maior densidade urbana e treinamento da população para o uso de bicicletas e patinetes elétricos
Certa, porque ciclovias e o uso de bicicletas e patinetes elétricos favorecem modais de baixo consumo energético, especialmente em áreas urbanas densas.
- C)implantação de trens de superfície para melhorar a mobilidade da população brasileira que mora nas periferias das grandes cidades
Errada, porque trens de superfície podem ajudar na mobilidade, mas a proposta é mais complexa e não é a alternativa mais imediata indicada pelo texto.
- D)liberação de mais corredores exclusivos para táxis e motoristas de aplicativo poderem transportar a população com mais agilidade
Errada, porque dar mais espaço a táxis e aplicativos tende a reforçar o transporte individual motorizado, sem resolver o alto gasto de energia por passageiro.
- E)investimento em meios de transporte públicos, pela vantajosa relação entre a quantidade de energia necessária para o deslocamento e o número de pessoas transportadas
Errada, porque a ideia é correta em tese, mas está mais genérica e institucional; a alternativa B apresenta uma medida mais direta e imediata para o problema descrito.
Gabarito: B
A questão trata de mobilidade urbana e eficiência energética. O texto compara o gasto de energia de diferentes meios de transporte e mostra um problema bem comum nas cidades: usar o carro para levar poucas pessoas custa muito mais energia do que soluções coletivas ou modos leves de deslocamento. Em Geografia, isso se conecta à ideia de que a escolha do modal de transporte impacta diretamente o consumo de energia, a poluição e o congestionamento. A saída mais imediata para reduzir esse desperdício não é uma obra gigantesca que demore anos para ficar pronta, mas sim ampliar o uso de transportes mais eficientes por passageiro. Quanto mais pessoas dividem o mesmo veículo, menor tende a ser o gasto energético individual. É por isso que ônibus, metrôs, trens e outras formas de transporte coletivo costumam ser mais vantajosos do que o automóvel individual. A alternativa B acerta porque aposta em ciclovias em áreas densas e no uso de bicicletas e patinetes elétricos, que são meios leves, relativamente baratos e muito mais econômicos energeticamente para trajetos curtos e médios. Em cidades com muita circulação, isso ajuda a reduzir a dependência do carro e corta o desperdício apontado no texto. A lógica é simples: menos carro sozinho, mais deslocamento eficiente. Em provas do CEBRASPE, vale guardar essa regra de ouro: mobilidade sustentável = priorizar modos coletivos e não motorizados, especialmente em trajetos urbanos curtos. Quando a questão fala em eficiência energética, desconfie de soluções que só aumentam a capacidade viária para automóveis; a banca geralmente prefere respostas que diminuem o uso do carro e melhoram o transporte por pessoa.