A respeito da ocupação e colonização do território amazônico e dos setores produtivos da agropecuária rondoniana, assinale a opção correta.
- A)A projeção da malha viária na Amazônia, conhecida como política das estradas, fortaleceu a pequena propriedade rural e diminuiu o comércio ilegal de madeira na região.
Errada, porque a abertura de estradas na Amazônia estimulou a ocupação e a pressão sobre a floresta, sem reduzir de forma geral o desmatamento e o comércio ilegal de madeira.
- B)Os altos encargos fiscais e a falta de subsídio estatal inviabilizaram migrações significativas oriundas das regiões Nordeste, Sul e Sudeste.
Errada, pois houve sim migrações significativas para Rondônia e para a Amazônia, impulsionadas por políticas de colonização e incentivos à ocupação.
- C)Em geral, a produção dos empreendimentos agropecuários em Rondônia é destinada essencialmente à subsistência dos ribeirinhos, dos quilombolas e dos povos originários que ali habitam.
Errada, porque a produção agropecuária rondoniana é majoritariamente voltada ao mercado, não à subsistência de ribeirinhos, quilombolas e povos originários.
- D)Comunidades indígenas, ribeirinhos, extrativistas, seringueiros e quilombolas foram, em muitos casos, desalojados dos seus territórios originais e realocados em outras localidades.
Certa, pois a expansão da ocupação e da agropecuária na Amazônia deslocou, em muitos casos, povos tradicionais de seus territórios originais.
- E)A conversão da floresta amazônica em pastagem associa-se às dinâmicas espaciais da expansão da pecuária e da agricultura, com destaque para a produção do milho e da soja, inexistindo conflitos socioterritoriais nos limites das áreas protegidas.
Errada, porque a conversão da floresta em pastagem e a expansão agrícola em Rondônia geram conflitos socioterritoriais, inclusive próximos a áreas protegidas.
Gabarito: D
A ocupação da Amazônia, e em especial de Rondônia, foi marcada por forte incentivo estatal à abertura de vias de transporte, projetos de colonização e expansão de frentes econômicas. Nesse processo, muita gente migrante chegou ao território, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, estimulada por programas de integração nacional e pela promessa de terra e trabalho. O problema é que essa ocupação não aconteceu de forma “bonitinha” no mapa: ela avançou sobre áreas de floresta e sobre territórios tradicionalmente ocupados por povos indígenas e populações extrativistas. É aí que o gabarito aparece com força. Em muitos casos, comunidades indígenas, ribeirinhos, extrativistas, seringueiros e quilombolas foram deslocados de seus espaços de vida por pressão fundiária, grilagem, abertura de estradas, expansão da pecuária e conflitos com grandes projetos. Isso gerou desestruturação social e disputa por terra, um traço bem conhecido da história amazônica. A Constituição de 1988 protege os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam, e a legislação ambiental e territorial também busca conter esse tipo de avanço predatório. Em Rondônia, a agropecuária cresceu muito com a abertura de áreas para pastagem e, depois, com o avanço de culturas comerciais. A lógica não foi de subsistência dos grupos tradicionais, mas de inserção em cadeias produtivas voltadas ao mercado, muitas vezes com desmatamento e conflitos socioterritoriais. Por isso, a questão cobra justamente essa leitura crítica da ocupação amazônica: integração econômica para uns, expulsão territorial para outros.