A respeito das escalas geográficas de impacto das usinas do Baixo Madeira, assinale a opção correta.
- A)As usinas do Baixo Madeira foram instaladas em áreas de baixíssima densidade demográfica e, por inundarem somente áreas de terra da União, geraram poucos impactos na desapropriação de comunidades locais.
Errada, porque as usinas atingiram áreas ocupadas e geraram impactos sobre comunidades locais, não apenas sobre terras da União e áreas vazias.
- B)A reestruturação territorial das usinas do Baixo Madeira incidiu sobre a geração de energia na Amazônia, com a adoção de um modelo de energia não renovável.
Errada, porque a geração hidrelétrica é baseada em fonte renovável, e a questão fala em modelo não renovável, o que contraria a própria natureza da usina.
- C)A geração de energia pelas usinas do Baixo Madeira atende apenas às necessidades do estado de Rondônia, logo seu alcance é local.
Errada, porque a energia produzida não atende só Rondônia; ela se insere no sistema elétrico mais amplo, com alcance regional e nacional.
- D)As políticas ambientais e as políticas de infraestrutura na Amazônia são ambas implementadas pela União, portanto há uma relação de complementariedade e de mitigação de impactos entre essas políticas.
Errada, porque não existe essa complementariedade simples entre política ambiental e infraestrutura na Amazônia, já que grandes obras costumam produzir conflito socioambiental e não apenas mitigação.
- E)As usinas hidroelétricas instaladas na Amazônia e, em especial, no baixo Madeira são destinadas ao suporte da demanda nacional por energia e à ampliação de atividades de setores como o agronegócio.
Certa, porque as usinas do Baixo Madeira se integram à estratégia nacional de oferta de energia e também dão suporte a atividades econômicas de grande escala, como o agronegócio.
Gabarito: E
As usinas do Baixo Madeira, especialmente Santo Antonio e Jirau, mostram bem como uma obra de energia pode ter impacto em várias escalas ao mesmo tempo. No plano local, mexem com comunidade ribeirinha, pesca, circulação de pessoas e uso do território. No plano regional, reorganizam a ocupação do espaço em Rondônia e na Amazônia meridional. E, no plano nacional, entram na lógica do sistema elétrico brasileiro, que busca ampliar a oferta para atender uma demanda que não para de crescer. Por isso, a leitura da questão tem de sair do olhar estreito de "serve só para o município". Hidrelétrica na Amazônia raramente fica confinada a um efeito localzinho e discreto, porque a obra costuma integrar uma estratégia maior de infraestrutura e de produção de energia. A energia gerada alimenta o Sistema Interligado Nacional e ajuda a sustentar atividades econômicas de maior escala, como mineração, indústria e agronegócio. O gabarito E está correto porque descreve exatamente essa função geoeconômica das usinas amazônicas: atender a demanda nacional por energia e dar suporte à expansão de setores produtivos. Esse é um ponto clássico de Geografia da Amazônia: a região é frequentemente inserida como fronteira de recursos, com grandes projetos voltados a interesses que extrapolam o espaço onde a obra foi instalada. Se você lembrar disso, evita a armadilha de pensar que hidrelétrica amazônica é só "energia para o estado". Na prática, ela faz parte de uma rede mais ampla de planejamento territorial e energético, com impactos sociais e ambientais que vão muito além da margem do rio.