Com base nos conceitos relativos à atuação do Brasil no contexto global, assinale a opção correta.
- A)Os critérios econômicos dos múltiplos espaços na divisão global, entre os países ricos do Norte e os países pobres do Sul, são idênticos à classificação dos critérios geográficos.
Errada, porque os critérios econômicos e geográficos não são idênticos na divisão Norte-Sul, já que o corte econômico não coincide perfeitamente com a localização geográfica.
- B)O Brasil, na nova ordem mundial, surge como um país de liderança regional e força emergente com marcas contraditórias.
Certa, porque o Brasil é visto na nova ordem mundial como liderança regional e força emergente, mas com contradições internas e externas.
- C)A nova ordem mundial foi pautada no neoliberalismo e essa força ideológico-econômica alçou o Brasil a uma das potências na economia-mundo.
Errada, porque o neoliberalismo não elevou o Brasil a potência da economia-mundo; no máximo, influenciou ajustes econômicos e abertura de mercado.
- D)A receita do consenso de Washington levou, mesmo que temporariamente, o Brasil à centralidade do capitalismo mundial.
Errada, porque o Consenso de Washington não levou o Brasil à centralidade do capitalismo mundial, e sim a políticas de ajuste e reformas pró-mercado.
- E)A globalização é um conceito meramente econômico que marcou a unipolaridade da nova ordem mundial, com o Brasil na liderança da América Latina.
Errada, porque globalização não é apenas econômica e o Brasil não exerce liderança da América Latina em termos de hegemonia regional.
Gabarito: B
Na Geografia política e econômica, a atuação do Brasil no contexto global costuma ser entendida a partir da chamada nova ordem mundial, marcada pela globalização, pela interdependência entre os países e pela reorganização das relações de poder depois da Guerra Fria. Nesse cenário, o Brasil não virou uma superpotência clássica, mas passou a ser visto como um ator regional importante, com peso diplomático, econômico e territorial. Ele aparece como uma força emergente, ao mesmo tempo em que carrega contradições bem conhecidas, como desigualdade social, dependência externa em alguns setores e instabilidade econômica em certos períodos. Por isso, a alternativa B está correta: ela resume bem essa posição ambígua do Brasil, que lidera discussões na América do Sul e busca projeção internacional, mas ainda não ocupa o centro do capitalismo mundial. Em outras palavras, o Brasil chama atenção, influencia a vizinhança e negocia em fóruns globais, só que sem o crachá de potência dominante. As demais opções erram porque simplificam demais o mapa do mundo ou exageram o papel brasileiro. A nova ordem mundial não transformou o Brasil em potência central por causa do neoliberalismo ou do Consenso de Washington, e globalização não é só economia, mas também política, cultura, tecnologia e circulação de informações. Esse tipo de questão cobra uma leitura bem clássica da Geografia: entender que o Brasil é emergente, regionalmente influente, mas estruturalmente contraditório. CESPE/CEBRASPE adora essa mistura de conceito correto com exagero sedutor em uma palavra ou outra.