“O ato que viria a instituir a liberdade de navegação no Amazonas partiria do Poder Executivo, através de um Decreto de 7 de dezembro de 1866, que abria, aos navios mercantes, o Amazonas até a fronteira, mas também o Tocantins até Cametá, o Tapajós até Santarém, o Madeira até Borba, o Negro até Manaus e o São Francisco até Penedo.” Internet: <funag.gov.br> (com adaptações). A abertura da bacia Amazônica à navegação internacional data do século XIX e, até a atualidade, tem representado um modal de transporte essencial ao desenvolvimento regional. Considerando o fragmento de texto e as informações apresentadas anteriormente, assinale a opção correta em relação à abertura do rio Amazonas à navegação internacional.
- A)Os Estados Unidos da América tinham interesse no controle da navegação na bacia amazônica, para defender os seus territórios na Guiana e no Panamá.
Errada: não havia esse foco dos EUA em defender Guiana e Panamá por meio do controle da navegação amazônica, o que mistura contextos geopolíticos distintos.
- B)A abertura do rio Amazonas à navegação, em território brasileiro, de navios estrangeiros gerou um forte sentimento contrário ao Brasil nos países vizinhos, Bolívia, Equador, Colômbia e Venezuela, que proibiam esse tipo de navegação em seus territórios.
Errada: a navegação não gerou esse suposto sentimento contrário ao Brasil nos países vizinhos, e a afirmação generaliza sem base histórica consistente.
- C)A enorme extensão territorial, o escasso povoamento e as dificuldades de controle do território eram vistos como ameaças de perda de domínio dos recursos da Amazônia diante de interesses estrangeiros.
Certa: a baixa ocupação, a imensidão territorial e a dificuldade de fiscalização alimentavam o temor de perda de controle sobre a Amazônia e seus recursos.
- D)Durante o século XIX a expansão das ferrovias e o interesse de investimento das empresas estrangeiras fizeram das ferrovias da Amazônia uma forte concorrente ao transporte fluvial.
Errada: no século XIX a Amazônia não se destacou por ferrovias competindo com o transporte fluvial, que continuou sendo o modal central na região.
- E)Em relação à navegação na bacia amazônica, não havia um consenso entre os países da região, voltados mais ao oceano Pacífico do que ao Atlântico.
Errada: a questão da navegação amazônica não se explica por um consenso regional baseado na orientação ao Pacífico, mas por disputas de soberania e integração territorial.
Gabarito: C
A abertura da navegação no rio Amazonas, no século XIX, precisa ser entendida no contexto da disputa por controle econômico e territorial da Amazônia. Naquele período, a região tinha enorme extensão, pouca ocupação efetiva e fiscalização difícil, o que deixava o Brasil preocupado com a possibilidade de ingerência estrangeira sobre recursos naturais e rotas fluviais. Ou seja, não era só uma questão de barco subindo rio: era soberania, comércio e estratégia. O decreto de 1866 foi um marco porque permitiu a navegação por rios da bacia amazônica, favorecendo o escoamento e a integração regional. Mais tarde, a navegação internacional no Amazonas ganhou importância ainda maior com a lógica de abertura comercial e de ocupação da Amazônia, sempre sob o olhar atento do Estado brasileiro. O gabarito é a letra C porque ela resume exatamente o problema histórico da época: a grande extensão territorial, o baixo povoamento e a dificuldade de controle do território eram vistos como ameaça à manutenção do domínio brasileiro sobre a Amazônia, especialmente diante do interesse estrangeiro por seus recursos. Em Geografia, isso aparece muito ligado à ideia de fronteira, soberania e ocupação do espaço. Quando a banca fala em navegação, ela quase sempre quer que você pense além da hidrografia: pense no território como poder.