Nessa corrente, a geografia ensinada era pautada por uma prática educativa que se fundamentava no modelo positivista; nesse modelo, a tendência pedagógica liberal sobressaía-se e caracterizava-se pela didática com foco no professor como detentor e transmissor de conteúdos, estigmatizando o processo educativo em operações mnemônicas voltadas para enumeração mecânica de elementos da natureza, sem desenvolver análise crítica sobre os conhecimentos, perpetuando a ordem e a ideologia vigentes. OLIVEIRA. Para onde vai o ensino de Geografia? São Paulo, 1998 (com adaptações). A concepção do pensamento geográfico que apresenta as características descritas no texto é a
- A)radical.
Errada, porque a Geografia radical é crítica e analisa as contradições sociais do espaço, não uma prática mnemônica e conservadora.
- B)idealista.
Errada, porque a Geografia idealista não corresponde a essa descrição pedagógica positivista e transmissiva do ensino escolar tradicional.
- C)nova geografia.
Errada, porque a nova Geografia valoriza análise e métodos mais sistemáticos, afastando-se da simples enumeração decorativa de elementos naturais.
- D)tradicional.
Certa, pois a Geografia tradicional é marcada pelo positivismo, pela centralidade do professor e pela memorização mecânica de conteúdos.
- E)humanística.
Errada, porque a Geografia humanística privilegia a experiência, a subjetividade e o sentido do lugar, não a transmissão acrítica de informações.
Gabarito: D
A questão descreve uma forma de ensinar Geografia em que o professor fala, o aluno copia e memoriza, e o conteúdo vira uma lista de elementos naturais para decorar. Isso é bem típico da Geografia tradicional, ligada ao positivismo e a uma visão mais descritiva do espaço, sem muita preocupação com crítica ou com a vivência do estudante. Nesse modelo, a aula costuma valorizar a enumeração, a repetição e a ordem. Em vez de interpretar as relações sociais, econômicas e políticas no espaço geográfico, o foco fica em nomes, capitais, rios, relevo e outros dados isolados. É aquela Geografia de mapa na parede e muita memorização, com pouca reflexão. Por isso, o gabarito é a alternativa D. A descrição do enunciado bate exatamente com a corrente tradicional, que dominou por muito tempo o ensino escolar de Geografia no Brasil. Ela prioriza o conteúdo pronto, a autoridade do professor e a aprendizagem mecânica. As correntes mais críticas e renovadoras, como a Geografia radical e a humanística, seguem outro caminho: analisam conflitos, relações sociais, experiência vivida e o significado do espaço. Já a nova Geografia rompe com a pura descrição, mas não combina com essa pedagogia mnemônica e conservadora pedida na questão.