Admitindo-se um comprometimento de civilização, havia dominação com a incumbência de levar a (sua) civilização aos povos intransigentes da Amazônia. Portanto, os indígenas deveriam deixar seu lado selvagem, pela conversão dos (primitivos) indígenas ao projeto civilizado e civilizador, contudo essa finalidade não foi alcançada até o século XIX. Internet:http://www.ap.anpuh.org/ (com adaptações). É correto afirmar que esse fragmento de texto se refere
- A)à cooptação de povos nativos pelo uso da força física.
Errada: o texto não destaca cooptação pela força física, mas sim um processo de conversão religiosa associado ao discurso civilizador.
- B)à catequização indígena pela religiosidade do colonizador.
Certa: o fragmento trata da catequização indígena, em que a religiosidade do colonizador era usada como instrumento de dominação e assimilação.
- C)à liberdade de expressão e de escolha dos povos autóctones.
Errada: o texto mostra justamente o contrário de liberdade, pois havia imposição de um projeto civilizador sobre os povos indígenas.
- D)ao comprometimento e respeito do colonizador para com o colonizado.
Errada: não há respeito ao colonizado; a passagem revela paternalismo colonial e tentativa de apagar a cultura indígena.
- E)ao projeto civilizador de conservação da cultura indígena.
Errada: o projeto descrito não preserva a cultura indígena, mas busca substituí-la pela cultura e valores do colonizador.
Gabarito: B
O fragmento descreve uma visão colonial muito comum na história da Amazônia: a ideia de que os povos indígenas precisariam ser “civilizados” pelos europeus, como se a cultura do colonizador fosse superior e devesse substituir a cultura nativa. Nesse contexto, a catequese foi um instrumento central, porque a religião era usada como meio de controle, conversão e integração forçada ao projeto colonial. Na prática, isso significava missionários, especialmente ligados à Igreja, atuando para converter indígenas ao cristianismo e afastá-los de seus costumes, crenças e modos de vida. Ou seja, não se tratava de respeito à diversidade cultural, mas de tentativa de assimilação cultural e religiosa. É a velha lógica de “salvar” o outro apagando o que ele é. Por isso o gabarito é a letra B. O texto fala justamente da catequização indígena pela religiosidade do colonizador, isto é, da imposição da fé cristã como parte do chamado projeto civilizador. Esse processo aparece com força na colonização da Amazônia e em Rondônia, onde a presença missionária foi usada para ocupar, controlar e transformar populações indígenas. Em termos históricos, essa lógica dialoga com a catequese jesuítica e com outras missões religiosas na América portuguesa, que buscavam converter indígenas e enquadrá-los nos padrões culturais europeus. O problema é que isso vinha junto com perda de autonomia, repressão cultural e muita violência simbólica, além de física em vários momentos.