No Brasil, o ambiente desfavorável não surgiu do dia para a noite, mas foi construído ao longo de anos. O grande problema é que o setor depende fundamentalmente do Estado. Nos anos 1970, o setor industrial no Brasil tinha um forte investimento estatal e o setor privado se beneficiava desses incentivos estatais, o que hipertrofiou o setor. Com o passar dos anos, o Estado foi perdendo sua capacidade de financiar a indústria e houve o declínio. Internet: <jornal.usp.br> (com adaptações). O texto precedente refere-se
- A)aos dois circuitos da economia da teoria de Milton Santos.
Errada, porque a teoria dos dois circuitos de Milton Santos trata da organização da economia urbana entre circuitos superior e inferior, e não do processo de declínio da indústria brasileira.
- B)a abundância de mão de obra técnico-científica ou qualificada.
Errada, porque o texto fala de perda de capacidade de financiamento e declínio industrial, e não de abundância de mão de obra qualificada.
- C)a falta de investimento do Estado no setor terciário da economia.
Errada, porque o foco do enunciado é a indústria e sua relação com o Estado, não a falta de investimento no setor terciário.
- D)ao aumento da rentabilidade lucrativa do capital financeiro.
Errada, porque o texto não trata de rentabilidade do capital financeiro, mas sim da fragilização do setor industrial ao longo do tempo.
- E)aos anos de processo de desindustrialização do Brasil.
Certa, porque o enunciado descreve o enfraquecimento gradual da indústria brasileira após uma fase de forte apoio estatal, caracterizando desindustrialização.
Gabarito: E
O texto descreve a trajetória da indústria brasileira quando ela perde fôlego porque depende muito do Estado para investir, financiar e sustentar setores estratégicos. Nos anos 1970, isso aparecia com força: o Estado bancava boa parte da industrialização, criava infraestrutura, protegia setores e o capital privado pegava carona nesses incentivos. Quando essa capacidade estatal diminui, o motor trava e a indústria começa a encolher relativamente diante de outros setores e da concorrência externa. Esse processo é justamente o que chamamos de desindustrialização. Em termos simples, não é só fechar fábrica de um dia para o outro, mas perder peso industrial na economia, com redução da participação da indústria no PIB, no emprego e na capacidade tecnológica. No Brasil, isso aparece como um processo longo, associado à abertura econômica, à menor capacidade de investimento público e à dificuldade de competir com produtos estrangeiros. Por isso, o gabarito é a letra E. O enunciado fala de anos de declínio após uma fase de forte investimento estatal, o que combina com a ideia de desindustrialização brasileira. A pegadinha aqui é que o texto usa um tom histórico e econômico, então muita gente pode tentar encaixar em teorias ou em outros setores, mas a chave é a perda de dinamismo da indústria ao longo do tempo. Em concursos, vale guardar esta ideia: desindustrialização não significa necessariamente "fim da indústria", e sim perda de relevância relativa do setor industrial. É um conceito muito cobrado em Geografia econômica e aparece bastante quando a banca quer relacionar Estado, financiamento e estrutura produtiva.