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Geografia · CESPE/CEBRASPE · 2021

Questão comentada de Geografia

Falar em símbolos no Paraná é falar em pinheiro, principalmente em Curitiba, cujo nome é derivado de curii, que significa pinheiro, pinha, pinhão, acrescido do sufixo tiba, que indica abundância. Ou seja, a própria significação de Curitiba possui ligação com o pinheiro. O pinheiro foi o símbolo que melhor refletiu o ideal paranista: o paranaense do futuro seria pujante, de porte gigantesco, assim como o pinheiro; seria fruto das raças que ali se encontram e que se integram sob o comando harmônico dos pinheirais; teria uma identidade cultural própria que o tornaria especial, diferente dos demais, que o tornaria o rei da floresta, o que não o faria deixar de ser, de maneira alguma, bem brasileiro. Luis F. L Pereira. Paranismo: cultura e imaginário no Paraná da I República. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 1996 (com adaptações). Considerando o assunto de que trata o texto apresentado, assinale a opção correta.

Gabarito: E

O enunciado trata do paranismo, um movimento cultural e simbólico ligado à construção de uma identidade para o Paraná nas primeiras décadas do século XX. A ideia não era apenas exaltar a natureza local, mas criar uma imagem de “povo paranaense” por meio de símbolos como o pinheiro, o pinhão e outras referências regionais. Isso ajudava a dar coesão ao imaginário estadual, como se a cultura pudesse organizar a identidade coletiva em torno de uma narrativa comum. Perceba que o texto destaca exatamente isso: o pinheiro como emblema do ideal paranista e o paranaense do futuro como fruto da integração de raças. Esse tipo de discurso é típico dos movimentos regionalistas da Primeira República, que buscavam definir traços próprios para os estados, sem romper com a ideia de brasilidade. Por isso, a alternativa E está correta: o movimento paranista usou símbolos para construir um estereótipo do povo paranaense, apresentando sua identidade como resultado da integração racial. Esse tipo de leitura dialoga com a produção cultural e intelectual da época, marcada por tentativas de “inventar” tradições e organizar identidades regionais. As demais opções distorcem o conteúdo do movimento. Não se trata de pureza sem referência indígena, nem de união baseada em religião, nem de exaltação da Era Vargas. O foco era simbólico, artístico e identitário, com forte apelo ao imaginário regional.

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