Durante o período regencial no Brasil, surgiram rebeliões em várias partes do Império. Uma das revoltas mais intensas aconteceu no Rio Grande Sul, conhecida como Revolta Farroupilha, desencadeada pelo descaso das autoridades imperiais em relação à economia de criação de gado e de produção de charque na região Sul. Temendo que as forças revolucionárias encontrassem adesão no Paraná, a província de São Paulo buscou apoio em Curitiba, prometendo, em troca, a emancipação dessa comarca. Com essa promessa, Curitiba passou a cooperar com o Governo Central, lutando contra os revolucionários. O apoio eficaz de Curitiba agradou o presidente da província de São Paulo, Barão de Monte Alegre, que solicitou ao governo imperial, em 1842, a emancipação da comarca, indicando Curitiba para capital da nova Província, por sua localização geográfica. Essa situação incomodou a Câmara de Paranaguá, que requeria para si o papel de capital, justamente por sua importância histórica. Essa disputa entre Paranaguá e Curitiba adiou a emancipação. Angelo Priori et al. História do Paraná: séculos XIX e XX. Maringá: Eduem, 2012 (com adaptações). Acerca da emancipação política da Província do Paraná, é correto afirmar que
- A)a Província do Paraná, por consenso político imperial, foi emancipada logo no início do século XIX.
Errada, porque a Província do Paraná só foi criada em 1853, e não no início do século XIX.
- B)o desejo político dos paranaenses era o estabelecimento de uma república autônoma separatista, por isso a resistência à emancipação.
Errada, porque não havia um projeto separatista republicano paranaense como causa da emancipação.
- C)motivos políticos, administrativos e econômicos motivaram a emancipação da 5.ª Comarca de São Paulo.
Certa, pois a emancipação da 5.ª Comarca de São Paulo resultou de fatores políticos, administrativos e econômicos.
- D)o primeiro presidente da Província do Paraná era muito inexperiente na política e suas atitudes quase levaram o Império a rever o processo emancipacionista paranaense.
Errada, porque a inexperiência do primeiro presidente não explica o processo emancipacionista nem quase levou o Império a revogá-lo.
- E)a emancipação da Província do Paraná somente foi possível após a promulgação da Lei Eusébio de Queiroz, que fortaleceu elementos econômicos associados à mecanização da agricultura e inspirou a liberdade política entre os paranaenses.
Errada, porque a Lei Eusébio de Queiroz trata do tráfico negreiro e não foi a base da emancipação do Paraná.
Gabarito: C
A emancipação da Província do Paraná aconteceu no contexto do período regencial e foi fruto de uma combinação de fatores, não de um único motivo mágico. Havia interesses políticos do Império em enfraquecer tensões regionais, preocupações administrativas ligadas ao controle do território e também razões econômicas, já que a região tinha peso produtivo e fiscal. Em outras palavras: não foi uma separação romântica, foi uma decisão bem calculada. A antiga 5.ª Comarca de São Paulo, com centro em Curitiba, teve sua emancipação ligada à estratégia imperial de apoio local durante conflitos como a Revolta Farroupilha. O governo central precisava garantir fidelidade e estabilidade na região, e a criação da nova província ajudava nisso. Por isso, faz sentido dizer que houve motivos políticos, administrativos e econômicos impulsionando a medida. O gabarito C está correto porque resume exatamente esse quadro: a emancipação do Paraná não nasceu de uma causa isolada, mas da convergência de interesses do Império e da elite local. A literatura histórica sobre o tema destaca esse processo como parte da reorganização provincial do século XIX, após disputas entre Curitiba e Paranaguá e diante da necessidade de controle político da área. Se voce lembrar disso como uma emancipação "estratégica", voce já mata a questão. Não foi logo no início do século XIX, nem resultado de separatismo republicano, e muito menos de uma lei posterior ligada à economia cafeeira ou à mecanização agrícola. Aqui, o que manda é o jogo político-administrativo do Império.