Considerando-se que um dos principais desafios na gestão do sistema elétrico brasileiro passa pelo endereçamento do risco hidrológico, é correto afirmar que o risco hidrológico
- A)está alocado com os agentes que apresentam maior capacidade de gerenciá-lo.
Errada, porque o risco hidrológico não é distribuído aos agentes com maior capacidade de gestão de forma automática; ele decorre da exposição do sistema à variação das chuvas e da geração hidráulica.
- B)está associado à possibilidade de ruptura de barragens ou de reservatórios de água.
Errada, porque isso descreve risco estrutural ou de segurança de barragens, e não o risco hidrológico ligado à oferta de água para geração elétrica.
- C)provocou, nos últimos anos, maior concentração da matriz energética brasileira.
Errada, porque o risco hidrológico não provoca concentração da matriz energética; ele evidencia justamente a dependência histórica da matriz elétrica brasileira das hidrelétricas.
- D)é um problema que será solucionado pela expansão continuada e sustentável da matriz solar.
Errada, porque a expansão solar ajuda na diversificação da matriz, mas não resolve sozinha o risco hidrológico nem substitui de forma integral a necessidade de gestão do sistema.
- E)gerou problemas que foram minimizados, mas não eliminados, pela adoção de bandeiras tarifárias.
Certa, porque as bandeiras tarifárias amorteceram o impacto financeiro do risco hidrológico ao repassar custos de forma mais transparente, mas não eliminaram a vulnerabilidade do sistema às secas.
Gabarito: E
O risco hidrológico, no setor elétrico brasileiro, aparece quando a geração das hidrelétricas fica abaixo do que o sistema esperava por causa de chuvas menores, reservatórios mais vazios e vazões de rios desfavoráveis. Como o Brasil ainda depende muito da água para produzir energia, qualquer seca mais forte pressiona o custo da eletricidade e obriga o sistema a acionar termelétricas, que são bem mais caras. É aí que entram mecanismos como as bandeiras tarifárias. Elas foram criadas para sinalizar ao consumidor que o custo de geração subiu, especialmente quando o sistema precisa usar fontes mais caras para compensar a baixa hidrologia. Então, elas ajudaram a reduzir o choque tarifário, porque espalham melhor o impacto no tempo, mas não fazem milagre: o problema climático e estrutural continua existindo. Por isso, a banca marca a alternativa E. As bandeiras minimizam os efeitos financeiros do risco hidrológico, mas não eliminam a causa do problema, que está ligada à dependência da matriz elétrica em relação às condições de água. Em linguagem de prova: elas tratam o sintoma no bolso, não desligam a seca no reservatório. Se quiser guardar a ideia central: risco hidrológico é risco de falta de água para gerar energia, e não risco de barragem romper. Isso cai muito em questões do modelo elétrico brasileiro e na discussão sobre diversificação da matriz.