A cidade é uma gigantesca fábrica de homens modernos. Com base nessa certeza, o projeto nacional-desenvolvimentista formulou — no Brasil e em quase toda a América Latina —, durante as décadas de 50 e 60 do século passado, uma grande questão e avivou uma grande esperança: como o Estado pode construir uma sociedade cultural e politicamente moderna? O projeto nacional-desenvolvimentista carregava consigo a grande esperança de extensão ampla dos benefícios econômicos, políticos e sociais da modernidade a toda a sociedade brasileira. Internet: <memorialdademocracia.com.br> (com adaptações). O desenvolvimentismo brasileiro formulou uma visão econômica politicamente engajada no país, e uma das suas ideias mais fortes, diante da sua implantação, e que melhor se encaixa como slogan para a época seria:
- A)O capital externo é a solução para a erradicação da pobreza social no Brasil.
Errada, porque o desenvolvimentismo não tratava o capital externo como solução principal para a pobreza, e sim via com desconfiança a dependência externa.
- B)Sem as indústrias de bens de consumo e de base, não há solução para esse país.
Errada, porque o foco do projeto era mais amplo que bens de consumo e de base, apostando na industrialização como instrumento de transformação nacional.
- C)O capital nacional é todo o suporte para o desenvolvimentismo industrial.
Errada, porque o desenvolvimentismo não defendia que apenas o capital nacional bastaria para sustentar a industrialização do país.
- D)A industrialização é a via da superação da pobreza e do subdesenvolvimento.
Certa, porque expressa a ideia central de que a industrialização seria o caminho para superar a pobreza e o subdesenvolvimento.
- E)Com a exportação e a mecanização agrícola, o crescimento econômico virá.
Errada, porque essa formulação se aproxima mais de uma visão agroexportadora ou modernizadora do campo do que do núcleo desenvolvimentista.
Gabarito: D
O desenvolvimentismo brasileiro ganhou força sobretudo entre os anos 1950 e 1960, com a ideia de que o Estado deveria liderar a modernização econômica e puxar a industrialização. A lógica era simples: um país pobre e desigual não sairia do atraso só com boas intenções ou com o mercado andando sozinho. Era preciso criar base industrial, infraestrutura, empregos urbanos e ampliar o consumo interno. Nesse contexto, a indústria aparecia como a grande alavanca do progresso. A fábrica não era vista apenas como um lugar de produção, mas como um motor capaz de transformar a sociedade, reduzir a dependência externa e abrir caminho para o desenvolvimento nacional. Por isso, o discurso desenvolvimentista misturava economia e política: industrializar era quase um projeto de nação. É exatamente aí que a alternativa D acerta. Ela resume a ideia central daquela época: a industrialização seria a via para superar a pobreza e o subdesenvolvimento. Essa era a promessa do nacional-desenvolvimentismo, muito associada a autores e formuladores como Celso Furtado, para quem o subdesenvolvimento não se resolvia sozinho e exigia intervenção planejada do Estado. As demais alternativas escorregam para outros caminhos: capital externo como salvação, confiança exclusiva no capital nacional, ou aposta na exportação e na mecanização agrícola. Tudo isso pode ter aparecido no debate econômico, mas não traduz o slogan mais típico do desenvolvimentismo clássico brasileiro.