A exportação de alimentos marcou a sociedade brasileira do período colonial ao fim da República Velha. Tais bens eram produzidos em grandes propriedades que empregavam trabalhadores escravizados antes da abolição. A historiografia denominou tal estrutura de produção de plantations. Essa estrutura de produção
- A)contou com inovações tecnológicas recorrentes, produzidas por diferentes institutos de pesquisa científica.
Errada, porque a plantation colonial e da República Velha não dependia de inovações tecnológicas recorrentes nem de institutos de pesquisa científica.
- B)reconhecia a baixa rentabilidade do trabalho escravo e procurou substituí-lo pelo trabalho livre.
Errada, porque o sistema plantation se apoiou historicamente no trabalho escravizado e depois em formas de trabalho dependente, não numa substituição precoce pelo trabalho livre.
- C)privilegiou, nos casos do açúcar e do café, plantas de origem estrangeira.
Certa, porque açúcar e café foram cultivados em grandes propriedades voltadas à exportação, e ambos envolviam plantas de origem estrangeira.
- D)atuou em regime concorrencial tanto no mercado interno quanto no mercado externo, ao longo do período colonial.
Errada, porque a plantation era voltada ao mercado externo e funcionava de modo pouco concorrencial, com forte concentração fundiária e baixa integração ao mercado interno.
- E)contou com uma rede de transporte eficaz e de baixo custo, formada por rodovias e ferrovias.
Errada, porque esse modelo não se sustentava em uma rede de transportes moderna e barata, com rodovias e ferrovias eficientes, algo que é muito mais tardio.
Gabarito: C
A ideia de plantation ajuda a entender a economia colonial brasileira e boa parte da República Velha: grandes propriedades, produção em monocultura, uso de mão de obra compulsória e foco na exportação. Era um modelo voltado para atender ao mercado externo, e não para diversificar a produção interna. Por isso, ele aparece ligado a ciclos como o açúcar e, depois, o café. O esquema era mais ou menos assim: muita terra, pouca variedade e muita dependência do comércio internacional. No caso do açúcar, a base produtiva no Brasil colonial foi construída com uma cultura trazida de fora, adaptada ao clima tropical e organizada em latifúndios açucareiros. No café, a lógica foi parecida: embora tenha ganhado enorme importância econômica no Brasil, a planta também não era nativa daqui. Então, a alternativa correta é a letra C, porque aponta exatamente essa característica das plantations: a presença de culturas de origem estrangeira, cultivadas em grande escala para exportação. As demais alternativas tentam colocar no passado elementos mais modernos, como pesquisa científica sistemática, substituição do escravismo por trabalho livre por motivos econômicos imediatos, concorrência ampla no mercado interno e uma rede eficiente de transportes. Isso não combina com a estrutura clássica da plantation, que era concentradora, dependente e pouco integrada ao mercado interno. Em termos históricos, ela se encaixa bem no padrão colonial exportador que marcou o Brasil por séculos.