A grande quantidade de lixo eletrônico tem incentivado um novo tipo de mineração, a mineração urbana, para recuperação de metais ferrosos e não-ferrosos, plásticos, vidros, entre outros. Após o desmonte e separação dos componentes do resíduo eletrônico, ocorre o processamento mecânico e a separação da fração metálica. A mesma pode seguir para uma rota de lixiviação, ácida ou alcalina, e depois isolados por técnicas de extração por solvente, por exemplo. Considerando os parâmetros de coeficiente de partição (Kx ) e o fator de separação ou de seletividade (αx/z), assinale a opção que indica o solvente que deve ser escolhido para extração de um metal X a partir de uma solução de metais (X+Z) lixiviados de um resíduo eletrônico.
- A)Metilisobutilcetona. Kx = 5; αx/z = 0,5.
Errada, porque embora Kx seja razoável, αx/z = 0,5 indica que o solvente prefere Z em vez de X.
- B)Tri-n-butilfosfato. Kx = 2; αx/z = 0,9.
Errada, pois αx/z = 0,9 ainda mostra baixa seletividade, então a separação entre X e Z fica fraca.
- C)Alamine 336 (tri-octil/decil amina). Kx = 5; αx/z = 5,0.
Certa, porque tem boa capacidade de extração (Kx = 5) e alta seletividade por X (αx/z = 5,0).
- D)Cyanex 923 (misturas de óxidos alquil-fosfínicos). Kx = 100; αx/z = 1,0.
Errada, pois apesar do Kx muito alto, αx/z = 1,0 significa ausência de seletividade entre X e Z.
Gabarito: C
Na extração por solvente, voce quer duas coisas ao mesmo tempo: um solvente que traga bem o metal de interesse para a fase orgânica e que, ao mesmo tempo, consiga separar esse metal dos outros que vieram juntos no lixiviado. Por isso entram dois parâmetros-chave: o coeficiente de partição (Kx), que mede o quanto o metal prefere o solvente, e o fator de seletividade (αx/z), que mostra o quanto o solvente prefere X em relação ao metal concorrente Z. Em termos práticos, um Kx alto ajuda na transferência do metal para a fase orgânica, mas isso sozinho não resolve tudo. Se a seletividade for ruim, o solvente vai extrair quase todo mundo junto, como se a porta estivesse aberta para a festa inteira. Aí a separação fica fraca e o processo perde utilidade. Na questão, o melhor solvente é o que combina extração eficiente com boa seletividade. A alternativa C traz Kx = 5 e αx/z = 5,0, ou seja, o metal X é bem extraído e, principalmente, é muito mais favorecido do que Z. Isso é exatamente o que se procura quando se quer isolar um metal a partir de uma mistura lixiviada de resíduo eletrônico. As outras opções têm algum problema clássico: ou a seletividade é menor que 1, o que significa preferência pelo metal errado, ou a seletividade é 1, indicando ausência de separação entre os metais. Então, mesmo que o Kx pareça bonito no papel, sem seletividade a extração vira uma peneira furada.