A mensuração da métrica lead time no desenvolvimento de software ganhou notoriedade quando David Anderson, criador do Kanban destacou a importância de coletá-la. Com relação à utilidade de medir o lead time durante o processo de desenvolvimento de software, analise os itens a seguir I. Analisar a saúde do processo de desenvolvimento considerando que altas dispersões representam algum tipo de gargalo ou aumento no tempo de passagem em alguma das etapas do fluxo de desenvolvimento, por exemplo, nas últimas semanas, o lead time das histórias de desenvolvimento cresceram, pois o ambiente de homologação estava com problemas e os testes eram mais complexos. II. Identificar casos extremos (outliers) e aprender com o ocorrido, por exemplo, se um bug levou muito mais tempo do que o normal para ser corrigido em decorrência da ausência de clareza sobre o que era de fato o problema a ser resolvido. III. Para compreender os efeitos que as incertezas e as complexidades não mapeadas podem causar, na forma de variabilidade, no tempo necessário para a conclusão dos trabalhos de um time de desenvolvimento de software. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Correta, porque os itens I, II e III descrevem usos adequados do lead time para analisar gargalos, outliers e variabilidade do fluxo.
- B)II e III, apenas.
Errada, porque o item I também está correto e não pode ser excluído.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque o item II também é um uso válido do lead time para identificar casos extremos.
- D)I e II, apenas.
Errada, porque o item III também está correto ao relacionar lead time com variabilidade e incertezas.
- E)III, apenas.
Errada, porque o item I e o item II também estão corretos, não apenas o III.
Gabarito: A
O lead time é uma métrica de fluxo: ele mostra quanto tempo passa entre o início de uma demanda e a sua entrega. No desenvolvimento de software, isso ajuda você a enxergar o processo com mais honestidade, porque não adianta olhar só para a velocidade final e ignorar onde o trabalho está travando. Se o lead time cresce ou oscila demais, há sinal de gargalo, filas, retrabalho ou dependências mal resolvidas. A utilidade dessa métrica vai além de “medir tempo”. Ela serve para analisar a saúde do processo, identificar casos extremos e entender a variabilidade do sistema. Em outras palavras, o lead time ajuda você a perceber quando algo ficou fora do padrão e a investigar a causa, como um ambiente de homologação instável, uma tarefa mal especificada ou uma complexidade não mapeada. É justamente por isso que os itens I, II e III estão corretos. O item I trata do aumento e da dispersão do lead time como indicador de gargalo ou atraso em uma etapa do fluxo. O item II destaca os outliers, que são aqueles casos fora da curva e que ensinam muito sobre falhas do processo. O item III fala da variabilidade causada por incertezas e complexidades não previstas, outro uso clássico da métrica para gestão e melhoria contínua. Essa visão está bem alinhada com o pensamento de Kanban e com a abordagem de fluxo defendida por David Anderson: medir para enxergar o sistema, reduzir desperdícios e melhorar previsibilidade. Então, o gabarito é a alternativa A, porque as três afirmações descrevem usos corretos do lead time.