Considere que uma agência espacial esteja desenvolvendo um software de controle de missão para um satélite de observação da Terra. Nesse contexto, assinale a opção que corresponde à técnica de elicitação de requisitos mais eficaz para garantir que a interface do usuário atenda às necessidades críticas de precisão, confiabilidade e usabilidade, especialmente em situações de alta pressão.
- A)sessões de brainstorming com a equipe de desenvolvimento e especialistas em controle de missão para gerar ideias inovadoras sobre funcionalidades e design da interface
Errada, porque brainstorming ajuda a gerar ideias, mas não valida se a interface funciona bem em situações críticas e de alta pressão.
- B)análise de extensos documentos de requisitos de softwares de controle de missão de satélites anteriores, priorizando-se a reutilização de funcionalidades comprovadas
Errada, porque reutilizar documentos e funcionalidades de sistemas anteriores ajuda como referência, mas não substitui a elicitação e a validação das necessidades atuais do usuário.
- C)aplicação de questionários detalhados, com perguntas técnicas sobre as preferências de leiaute e de organização de dados dos cientistas e engenheiros
Errada, porque questionários captam opiniões em escala, mas são fracos para revelar problemas de usabilidade e comportamento em cenários críticos.
- D)criação de protótipos interativos de alta fidelidade da interface do usuário, que permitem que os cientistas e engenheiros simulem cenários de missão críticos e forneçam feedback detalhado a respeito da usabilidade e da precisão dos dados
Certa, porque protótipos interativos de alta fidelidade permitem simular a missão e avaliar diretamente usabilidade, precisão e confiabilidade da interface.
- E)realização de entrevistas formais com cientistas e engenheiros, focadas em suas experiências passadas com softwares de controle de missão e nos desafios enfrentados
Errada, porque entrevistas formais ajudam a levantar necessidades, mas não são a melhor técnica para testar a interface em situações operacionais de pressão.
Gabarito: D
Em engenharia de requisitos, a escolha da técnica de elicitação depende do tipo de sistema e do nível de risco envolvido. Quando voce está lidando com um software de controle de missão, a conversa não pode ficar só no plano abstrato: a interface precisa ser validada em cenários críticos, com pressão, tempo curto e alto impacto em caso de erro. Por isso, técnicas mais “concretas”, que permitem testar a interação antes do produto final, ganham muita força. A grande sacada aqui é que não basta perguntar o que o usuário quer. Em ambiente crítico, voce precisa observar como ele reage, se entende os dados, se toma decisões rápidas e se a tela ajuda ou atrapalha. A prototipação de alta fidelidade faz exatamente isso: simula a interface de forma próxima do real e permite colher feedback direto sobre usabilidade, precisão da informação e apoio à tomada de decisão. É por isso que o gabarito é a letra D. Ela é a única alternativa que coloca o usuário dentro de uma situação parecida com a real, permitindo validar requisitos que são difíceis de descobrir em entrevista ou questionário. Em sistemas críticos, esse tipo de validação iterativa é muito valorizado pela doutrina de engenharia de requisitos e de interação humano-computador, porque reduz retrabalho e pega problemas cedo, quando ainda dá tempo de corrigir sem drama espacial. As demais opções até podem ajudar em algum momento do projeto, mas não são as mais eficazes para garantir interface confiável sob alta pressão. A banca gosta justamente disso: trocar a técnica mais adequada por uma técnica genérica, como se todo problema de requisito se resolvesse com reunião, formulário ou nostalgia de projeto antigo.