Na elicitação e no gerenciamento de requisitos de um software, a abordagem que tem o potencial de oferecer explicações prováveis para contextualizar ou explicar uma necessidade que se apresenta como uma afirmação desconfortável e que se contrapõe às crenças e aos entendimentos iniciais da equipe de desenvolvimento é a
- A)da análise heurística de interface.
Errada, porque análise heurística de interface serve para avaliar usabilidade e detectar problemas de interação, não para contextualizar uma necessidade por meio de narrativa.
- B)de histórias de usuário.
Errada, porque histórias de usuário registram requisitos do ponto de vista do usuário, mas não têm, por si, a função de criar explicações prováveis para uma afirmação desconfortável.
- C)de teste de usabilidade.
Errada, porque teste de usabilidade verifica se a interface pode ser usada com eficiência e satisfação, e não é técnica de explicação contextual na elicitação.
- D)da prototipação.
Errada, porque a prototipação ajuda a visualizar e validar ideias, mas a questão fala de construir narrativas explicativas para entender uma necessidade contraditória.
- E)de storytelling.
Certa, porque storytelling permite contextualizar a necessidade em forma de narrativa, ajudando a explicar uma demanda que surpreende ou contraria as expectativas da equipe.
Gabarito: E
Na engenharia de requisitos, nem toda necessidade vem pronta e organizada. Muitas vezes a equipe recebe uma frase estranha, incompleta ou até contraditória, e precisa descobrir o que realmente está por trás dela. É aí que entra uma abordagem mais interpretativa, voltada a construir sentido para o problema e não só a registrar pedidos soltos. O storytelling ajuda justamente nisso: ele cria uma narrativa para contextualizar a necessidade, mostrando personagens, situações, conflitos e motivações. Em vez de tratar a demanda como uma frase fria, você transforma a informação em uma história plausível, o que facilita entender por que aquele requisito existe e como ele se conecta ao uso real do software. Por isso, o gabarito é a letra E. A questão descreve o uso de explicações prováveis para contextualizar uma afirmação desconfortável que contraria as crenças iniciais da equipe. Isso é bem a cara de storytelling, que funciona como instrumento de elicitação e de comunicação de requisitos, ajudando a revelar intenções, expectativas e necessidades ocultas. As demais alternativas apontam para técnicas importantes, mas com outra finalidade. Elas ajudam a avaliar interface, testar uso ou organizar requisitos, porém não têm esse foco de criar explicações narrativas para dar sentido a uma necessidade inesperada. Em prova, a banca gosta dessa troca sutil: parece tudo “descoberta de requisito”, mas só uma técnica conversa com a ideia de contar a história do problema.