Na indústria do petróleo, por ser alicerçada em exploração e produção ininterrupta de recurso mineral exaurível, a intensidade de capital é particularmente significativa na fase de E&P, em função do alto risco. Não obstante todo conhecimento e experiência acumulados por mais de um século, a ocorrência de petróleo em quantidades economicamente rentáveis só é definitivamente provada ao final de uma campanha de perfuração bem-sucedida. Sobre os riscos de natureza única da indústria do petróleo, que se adicionam aos riscos normais de outras atividades econômicas, analise as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) A indústria do petróleo enfrenta riscos de custos, mercados, demandas e preços que são semelhantes aos riscos enfrentados por outras atividades econômicas. ( ) A Industria do petróleo apresenta risco geológico , devido a incerteza do desconhecido na descoberta de jazidas economicamente rentáveis. ( ) Não existe risco técnico associado à atividade exploratória, uma vez que se faz a interpretação de dados previamente à exploração. ( ) A indústria do petróleo não enfrenta risco político que venha a advir de mudança inesperada do regime político do país hospedeiro. As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
- A)V – F – V – V.
Errada, porque a terceira e a quarta afirmativas são falsas, não verdadeiras.
- B)V – V – F – F.
Certa, pois a primeira e a segunda afirmativas são verdadeiras, e a terceira e a quarta são falsas.
- C)V – F – F – V.
Errada, porque a segunda afirmativa é verdadeira, e a quarta é falsa.
- D)V – F – F – F.
Errada, porque a segunda afirmativa não é falsa e a terceira e a quarta são falsas.
- E)F – V – V – V.
Errada, porque a primeira afirmativa é verdadeira, e a segunda também é verdadeira.
Gabarito: B
Na indústria do petróleo, o risco não é só o “normal” de qualquer negócio, como custo, demanda, mercado e preço. Isso tudo existe também em outros setores, então a primeira afirmativa é verdadeira. O diferencial do petróleo está no risco geológico: antes da perfuração, você trabalha com indícios, modelos e probabilidades, mas a existência de uma jazida economicamente aproveitável só se confirma de verdade na broca. É o famoso “subsolo não assina contrato”. Também existe risco técnico. Interpretar sísmica, definir poço, perfurar em condições complexas, controlar pressão e concluir o poço são etapas cheias de incerteza operacional. Então é falso dizer que não há risco técnico só porque houve estudo prévio. Estudo reduz incerteza, mas não transforma exploração em passeio no parque. Além disso, a atividade petrolífera enfrenta risco político, especialmente em países hospedeiros: mudança de governo, alteração contratual, tributação, nacionalização, revisão regulatória e até restrições operacionais. Por isso, é falsa a ideia de que esse risco não existe. Na lógica da questão, temos: V, V, F, F, exatamente o gabarito B. Esse raciocínio é bem alinhado com a doutrina clássica da economia do petróleo: a E&P concentra risco elevado porque o investimento é feito antes da certeza da reserva e da sua viabilidade econômica. O ponto central é que a indústria lida com riscos comuns a qualquer negócio e com riscos próprios da geologia, da técnica e da política.