A ocorrência de infecção urinária ou bacteriúria aumenta com a idade e a incapacidade; e as mulheres são mais susceptíveis a essa condição que os homens. Essa infecção é a segunda mais comum no corpo; em pacientes com 65 anos ou mais, é a causa mais comum de sepse por microrganismos gram-negativos e está associada à taxa de mortalidade superior a 50%. Sobre a infecção urinária, é INCORRETO afirmar que
- A)sexo feminino, diabetes mellitus, gravidez, imunocomprometimento, comprometimento cognitivo, imobilidade e esvaziamento incompleto da bexiga são fatores de risco para sua ocorrência.
Certa, porque reúne fatores de risco reconhecidos para infecção urinária, como sexo feminino, diabetes, gravidez, imunocomprometimento, imobilidade e esvaziamento vesical incompleto.
- B)a realização de higiene íntima, no sentido póstero-anterior; o consumo frequente de chá e café, e a redução da ingestão hídrica, para evitar incontinência, são algumas orientações relacionadas à prevenção da recorrência desse mal.
Errada, porque a higiene íntima deve evitar a contaminação da uretra, a redução da ingesta hídrica favorece retenção urinária e chá/café não são medidas preventivas para recorrência de ITU.
- C)a causa mais comum de recorrências dessa infecção em homens idosos é a prostatite bacteriana crônica.
Certa, porque em homens idosos a prostatite bacteriana crônica é causa comum de recorrência de infecção urinária.
- D)as pessoas idosas, frequentemente, não apresentam os sinais e sintomas típicos dessa infecção e sepse.
Certa, porque idosos frequentemente apresentam sinais atípicos de ITU e sepse, sem os sintomas urinários clássicos.
Gabarito: B
A infecção urinária é muito frequente na prática clínica, especialmente em idosos, mulheres e pessoas com fatores que dificultam o esvaziamento da bexiga ou a defesa do organismo. Em concurso, a banca gosta de misturar fatores de risco reais com orientações de prevenção que parecem “saudáveis”, mas estão erradas em contexto de ITU. Entre os fatores de risco, entram sexo feminino, diabetes mellitus, gravidez, imunocomprometimento, comprometimento cognitivo, imobilidade e esvaziamento incompleto da bexiga. Em idosos, a apresentação pode ser bem menos típica: em vez de disúria e urgência, pode haver confusão mental, queda do estado geral ou sinais sistêmicos de sepse. Isso é um clássico da geriatria: o corpo não faz propaganda dos sintomas, ele só surpreende. O item incorreto é o que traz higiene íntima no sentido póstero-anterior, consumo frequente de chá e café e redução da ingestão hídrica como prevenção da recorrência. Na verdade, a higiene deve evitar levar bactérias da região anal para a uretra, o que torna o sentido correto o oposto, e reduzir líquidos costuma piorar a proteção urinária, pois diminui o fluxo e favorece estagnação. Além disso, cafeína e chá não são medidas preventivas de ITU recorrente. Em homens idosos, recorrências de ITU podem se relacionar à prostatite bacteriana crônica, e isso também é um ponto cobrado com frequência. Em resumo: cuide dos fatores de risco reais e desconfie de orientação que manda “segurar líquido” ou faz a limpeza no sentido errado.