Sr. Manuel, 49 anos, está tendo uma forte crise de ansiedade após muitos dias de isolamento domiciliar por conta da pandemia de COVID-19. Chegou ao ponto de se trancar no quarto e não aceitar contato com nenhum familiar, não quer se alimentar pelo medo de ser contaminado. Encontra-se ansioso, com agitação psicomotora, chegando a ser agressivo verbal e fisicamente. A família aciona o SAMU. Como enfermeiro, sua atitude deve ser de:
- A)na aproximação do paciente demonstrar atitude firme, identificar-se e declarar a intenção de ajuda; ser pacífico pode prejudicar a comunicação.
Errada, porque firmeza e apresentação são importantes, mas dizer que atitude pacífica prejudica a comunicação contraria a abordagem terapêutica e a desescalada verbal.
- B)na comunicação terapêutica para estabelecer o vínculo inicial, sempre aproximar-se mais durante a abordagem.
Errada, porque aproximar-se mais nem sempre ajuda e pode aumentar a agitação ou o risco de agressão em um paciente desorganizado e hostil.
- C)comunicar à central de regulação sobre orientações de conduta, definição do destino hospitalar e solicitação de apoio. Conforme a situação, a contenção física, mecânica ou química pode ser necessária, caso o paciente não coopere, mas não possa ser dispensado no local.
Certa, porque em crise aguda com risco de agressividade o enfermeiro deve acionar a regulação, definir conduta e destino, e considerar contenção se houver necessidade e segurança.
- D)informar sobre os procedimentos a serem realizados e solicitar a cooperação do paciente sob contato visual e físico.
Errada, porque pedir cooperação com contato visual e físico direto pode ser inadequado e até perigoso quando o paciente está agitado e agressivo.
Gabarito: C
Em urgência psiquiátrica no atendimento pré-hospitalar, o foco inicial do enfermeiro é segurança: a do paciente, da equipe e da família. Quando há ansiedade intensa com agitação psicomotora e agressividade, não basta “conversar bonito” no improviso. Você precisa acionar a lógica do SAMU, seguir a regulação médica e avaliar se será necessário apoio extra para contenção e remoção segura. É exatamente por isso que a alternativa C está correta. A conduta envolve comunicar a central de regulação para orientar o caso, definir o destino hospitalar e solicitar apoio, se necessário. Em situações em que o paciente não coopera e não pode ser simplesmente deixado no local, podem ser necessárias contenção física, mecânica ou química, sempre com indicação, segurança e supervisão conforme protocolos do serviço e avaliação clínica. Na prática, a ideia é desescalar sem perder o controle da cena. Se o paciente está com risco de auto ou heteroagressão, a prioridade não é insistir em uma abordagem idealizada, e sim estabilizar a situação e garantir encaminhamento adequado. Em atendimento do SAMU, a tomada de decisão é compartilhada com a regulação médica, que define a melhor resposta assistencial e o destino hospitalar. Resumo de prova: crise aguda com agressividade e medo intenso pede comunicação com a central, organização do suporte e possível contenção, não aproximação ingênua. A banca gosta muito de cobrar essa diferença entre acolhimento verbal e manejo de risco real.