Lactente de 2 meses é trazido no posto de saúde pela mãe para realizar a atualização das vacinas e gostaria de saber se o filho pode receber outra dose da vacina BCG, pois não apresentou a cicatriz. Assinale a alternativa que apresenta a orientação mais adequada para o caso.
- A)Não é necessário revacinar, mesmo em casos em que o teste tuberculínico seja negativo.
Correta: a ausência de cicatriz não indica revacinação, mesmo com teste tuberculínico negativo.
- B)É necessário revacinar, pois a ausência de cicatriz indica que o lactente não está protegido para a tuberculose.
Errada: a falta de cicatriz não significa que a criança esteja desprotegida nem indica nova dose.
- C)Não é necessário revacinar, exceto nos casos em que o teste tuberculínico é negativo.
Errada: o teste tuberculínico negativo não é critério para revacinar por ausência de cicatriz.
- D)É necessário revacinar, pois a ausência de cicatriz é indicativo de desenvolvimento de formas graves da tuberculose.
Errada: a cicatriz não é indicativo de proteção ou de prevenção das formas graves da tuberculose.
Gabarito: A
A vacina BCG é aplicada, em regra, logo ao nascer e tem como principal objetivo proteger a criança contra as formas graves da tuberculose, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar. Um detalhe importante: a presença de cicatriz não deve ser usada como critério para concluir se a vacina fez efeito ou não. Nem toda criança vacinada vai apresentar cicatriz visível, e isso não significa falha vacinal. Na prática de vacinação, a ausência de cicatriz também não indica necessidade de revacinação. A orientação é não repetir a BCG apenas por esse motivo. Isso vale inclusive quando se fala em teste tuberculínico negativo: o resultado do teste não serve para decidir revacinar a criança nessa situação. Por isso, no caso do lactente de 2 meses, a mãe deve ser orientada de que não há indicação de aplicar outra dose de BCG só porque não apareceu cicatriz. O foco é conferir se a vacina já foi realizada e se não há contraindicação, e não caçar a cicatriz como se ela fosse crachá de aprovação da imunidade. Esse entendimento é compatível com as normas do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que não orientam revacinação rotineira da BCG por ausência de cicatriz, e com a lógica clínica de que a resposta vacinal não deve ser julgada apenas por esse sinal local.