Lidar com crianças com transtornos de saúde mental é um grande desafio a ser enfrentado pelos profissionais de saúde que atuam na rede básica. Assinale o item que aborda uma ação necessária para o técnico em enfermagem realizar ao receber uma criança com transtorno de ansiedade em sua unidade.
- A)Encorajar os pais a fornecerem as informações da situação da criança, procurando mostrar que o interesse é de ajudar a criança e a família.
Certa: o acolhimento com incentivo para os pais relatarem a situação ajuda na avaliação e no cuidado da criança com ansiedade.
- B)Acolher, acompanhar e encaminhar as crianças para serviços hospitalares, especialmente as ansiosas e suas famílias, igualmente necessitadas de apoio.
Errada: o foco não é priorizar encaminhamento hospitalar de forma ampla, mas acolher e conduzir o cuidado de acordo com a necessidade.
- C)Mobilizar recursos existentes na vizinhança da família (creches, escolas, postos de saúde) a fim de que todos fiquem sabendo do problema e saibam se afastar no momento certo.
Errada: expor o problema para vizinhos e escola como regra viola a privacidade e não é conduta de cuidado em saúde mental.
- D)Encaminhar aos órgãos competentes os casos suspeitos de violência contra a criança e o adolescente, mantendo sigilo do fato inclusive para o enfermeiro responsável.
Errada: casos suspeitos devem ser notificados pelos fluxos competentes e o sigilo não pode ser quebrado dessa forma, nem ocultado do enfermeiro responsável.
Gabarito: A
Na atenção básica, lidar com criança com transtorno de ansiedade exige muito acolhimento, escuta qualificada e postura não julgadora. A equipe de enfermagem não deve aumentar a exposição da criança nem “espalhar” o problema pela comunidade; o foco é reduzir medo, organizar o cuidado e envolver a família com respeito. O primeiro passo costuma ser criar um ambiente seguro para que os responsáveis relatem o que está acontecendo. Quando a equipe encoraja os pais a fornecerem informações, ela melhora a avaliação, entende os gatilhos da ansiedade e consegue planejar a conduta sem forçar a criança a se expor desnecessariamente. Isso está em linha com os princípios da Política Nacional de Saúde Mental e da humanização do cuidado no SUS, que valorizam acolhimento, vínculo e escuta. Por isso, a alternativa A está correta: ela propõe uma atitude de apoio, baseada em diálogo com a família e interesse genuíno em ajudar a criança e seus cuidadores. Em saúde mental infantil, o vínculo com a família é parte central do cuidado, porque a criança depende muito desse suporte para expressar sinais e aderir ao acompanhamento. As demais opções escorregam: uma fala em encaminhar especialmente para serviço hospitalar como regra, outra sugere mobilizar a vizinhança e divulgar o problema, e outra mistura dever de notificação com quebra de sigilo. Em enfermagem, sigilo é regra ética, com exceções legais para notificação compulsória e proteção da criança, mas sempre pelos fluxos corretos e sem omitir informações da equipe responsável.