Criança de 8 anos chega à unidade de saúde acompanhada da avó devido a mordedura de cão. Foi mordida na mão, perna e planta do pé enquanto tentava fugir do cão do vizinho que havia pulado o muro. O vizinho ajudou a socorrer a criança e orientou a avó a procurar atendimento para demais condutas e informou que o cão não está doente. Assinale a alternativa que apresenta a MELHOR conduta considerando o caso clínico descrito.
- A)Lavar com água e sabão e iniciar imediatamente o esquema com soro antirrábico e prender o animal para exames.
Errada, porque o soro antirrábico não é a melhor conduta quando o cão é conhecido e pode ser observado por 10 dias.
- B)Lavar com água e solução de iodo e iniciar o esquema profilático com 4 doses de vacina nos dias 0, 3, 7 e 14 e observar o animal por 10 dias.
Certa, pois orienta a limpeza da ferida, a vacinação antirrábica indicada para o caso e a observação do animal por 10 dias.
- C)Lavar com água e sabão e iniciar esquema profilático com duas doses de vacina, uma no dia 0 e outra no dia 3 e orientar observar o animal por 10 dias.
Errada, porque o esquema com duas doses não corresponde ao protocolo indicado para esse tipo de exposição e a lavagem ideal é com água e sabão, não com iodo.
- D)Lavar com água e solução de iodo e iniciar esquema profilático com vacina caso o animal morra ou fique doente.
Errada, porque não se deve esperar o animal adoecer ou morrer para iniciar a profilaxia quando já há indicação de vacina e observação.
Gabarito: B
Em mordedura de cão, a primeira medida sempre é lavar bem o ferimento com água e sabão. Isso parece simples, mas é uma das condutas mais importantes para reduzir o risco de infecção e de transmissão da raiva. Depois vem a avaliação do risco: espécie do animal, possibilidade de observação e gravidade do acidente. Neste caso, a criança foi mordida em mão, perna e planta do pé, o que configura acidente com lesões em áreas de maior risco, especialmente porque mão e pé são locais mais preocupantes. Como o cão é conhecido, não aparenta estar doente e pode ser observado por 10 dias, não há indicação imediata de soro antirrábico. A conduta é iniciar a profilaxia vacinal e manter observação do animal. Por isso, a alternativa B é a melhor. Ela traz a lavagem da ferida e o esquema com 4 doses da vacina antirrábica nos dias 0, 3, 7 e 14, além da observação do cão por 10 dias. Esse é o raciocínio adotado nos protocolos do Ministério da Saúde para acidentes por cão ou gato com possibilidade de acompanhamento do animal. Resumo de prova: ferida limpa primeiro, vacina quando indicada, soro só em situações de maior risco e quando não há segurança para observar o animal. Iodo não substitui a lavagem correta, e deixar para agir só se o animal adoecer costuma ser tarde demais.