Durante uma consulta de enfermagem de pós-parto com puérpera no 40° dia de pós-parto, o acompanhante demonstra preocupação e relata que a gestante está muito triste, sem conseguir se alimentar adequadamente, dormindo muitas horas do dia e sem interesse em cuidar do bebê. Diante desse relato, o enfermeiro deve
- A)descartar depressão pós-parto e orientar sobre o quadro de baby blues ou tristeza puerperal.
Errada, porque os sinais descritos não combinam com baby blues, que é leve, breve e costuma regredir espontaneamente nos primeiros dias após o parto.
- B)encaminhar para a maternidade para avaliação e tratamento em âmbito hospitalar.¬
Errada, porque o caso pede rastreio e encaminhamento, não internação hospitalar imediata sem avaliação clínica e psiquiátrica do contexto.
- C)alertar o acompanhante de que a depressão pós-parto é uma condição transitória que desaparece espontaneamente, sem a necessidade de tratamentos ou terapias psicológicas.
Errada, porque depressão pós-parto não é quadro transitório sem tratamento; essa orientação banaliza um problema que pode ser grave.
- D)aplicar a escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS) para identificação de sinais de depressão pós-parto, para posterior encaminhamento para um especialista.
Certa, porque a EPDS é um instrumento de triagem apropriado para identificar sinais de depressão pós-parto e direcionar o encaminhamento.
- E)diagnosticar depressão pós-parto e encaminhar para psicoterapia de acordo com o protocolo da unidade básica.
Errada, porque o enfermeiro não deve diagnosticar depressão pós-parto sozinho nem limitar a conduta a psicoterapia na unidade básica.
Gabarito: D
No puerpério, tristeza leve e passageira nos primeiros dias pode acontecer e costuma ser chamada de baby blues ou tristeza puerperal. Mas quando os sintomas são mais intensos, persistentes e atrapalham alimentação, sono, vínculo com o bebê e autocuidado, o raciocínio muda: isso sugere depressão pós-parto, e não um desconforto transitório para ser apenas observado. Aqui a puérpera está no 40º dia de pós-parto, com tristeza importante, alteração do sono, recusa ou dificuldade para se alimentar e falta de interesse em cuidar do bebê. Esse conjunto de sinais exige rastreio sistemático e encaminhamento adequado, porque o enfermeiro não deve nem banalizar o quadro nem fechar diagnóstico psiquiátrico sozinho. Por isso, a conduta mais correta é aplicar a Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS), instrumento de triagem muito usado na prática clínica para identificar sinais de depressão pós-parto e orientar o fluxo de encaminhamento para avaliação especializada. Em outras palavras: primeiro você suspeita e rastreia, depois encaminha. A enfermagem atua na identificação precoce e no cuidado em rede. Vale lembrar que, no Brasil, a Atenção Primária e os serviços de saúde mental trabalham com lógica de rastreamento, acolhimento e referência, e não com diagnóstico isolado feito no improviso. A prova quer exatamente isso: reconhecer que o quadro é compatível com sofrimento psíquico relevante e que a EPDS é uma ferramenta adequada para organizar a conduta.