Um técnico de enfermagem do trabalho está acompanhando um trabalhador que apresentou febre, cefaleia, mialgia e fadiga após retorno de uma viagem a uma região endêmica de febre amarela. A ação correta a ser realizada pelo técnico de enfermagem nesse caso é
- A)administrar antitérmicos e liberar o trabalhador para retornar às atividades enquanto monitora os sintomas.
Errada, porque antitérmico não substitui avaliação clínica em suspeita de doença infecciosa potencialmente grave, e o retorno ao trabalho seria inadequado.
- B)encaminhar o trabalhador para isolamento domiciliar, recomendando repouso e hidratação sem necessidade de exames.
Errada, porque isolamento domiciliar sem avaliação e sem exames não resolve a suspeita de febre amarela e pode atrasar o diagnóstico.
- C)registrar os sintomas no prontuário e orientar o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Errada, porque registrar e orientar EPI não é suficiente diante de sinais compatíveis com doença de notificação e precisa de encaminhamento assistencial.
- D)solicitar diretamente a vacinação contra febre amarela para evitar a evolução da doença e liberar o trabalhador para atividades.
Errada, porque vacinação não é conduta imediata para tratar quadro já suspeito e não autoriza liberar o trabalhador para atividade.
- E)encaminhar o trabalhador para avaliação médica imediata e notificar o caso à Vigilância Epidemiológica, considerando a possibilidade de doença infecciosa de notificação compulsória.
Certa, porque há suspeita de doença infecciosa importante após viagem a área endêmica, exigindo avaliação médica imediata e notificação à vigilância epidemiológica.
Gabarito: E
Em saúde do trabalhador, quando aparece um quadro sugestivo de doença infecciosa após viagem a área endêmica, a postura não é “esperar pra ver se melhora”. Febre, cefaleia, mialgia e fadiga depois de exposição em região com febre amarela levantam suspeita clínica importante e exigem avaliação médica imediata. O técnico de enfermagem deve reconhecer o risco e acionar o fluxo assistencial, sem banalizar os sintomas. A febre amarela é uma arbovirose potencialmente grave e, na suspeita clínica, o caso precisa de encaminhamento para avaliação médica e comunicação aos serviços de vigilância, conforme as normas de vigilância epidemiológica do SUS. Em situações assim, o objetivo é confirmar diagnóstico, definir conduta e interromper possíveis cadeias de transmissão, além de evitar atraso terapêutico. Não é momento de liberar trabalhador para atividade como se fosse um resfriado comum. A lógica da prova é simples: suspeita de doença infecciosa com relevância epidemiológica pede assistência imediata e notificação. A notificação compulsória está prevista na legislação sanitária e nas listas oficiais do Ministério da Saúde, que incluem doenças e agravos de interesse epidemiológico. Em concurso, a FGV costuma cobrar exatamente essa atitude correta do profissional de enfermagem: identificar, encaminhar e notificar. Então, diante desse quadro, o técnico deve encaminhar o trabalhador para avaliação médica imediata e notificar o caso à Vigilância Epidemiológica. Isso protege o paciente, a equipe e a coletividade, que é o trio clássico da saúde pública.