Na prática assistencial, as precauções para prevenção e controle de infecções são estratégias fundamentais para reduzir a transmissão de patógenos. Nesse caso, considerando as precauções por formas de transmissão, é correto afirmar que:
- A)as precauções para gotículas visam a prevenir a transmissão de microrganismos por via respiratória por partículas menores que 5µm (micra) de pacientes com doença transmissível, geradas pela tosse, pelo espirro e durante a fala;
Errada, porque gotículas são partículas maiores que 5 micra, enquanto partículas menores que 5 micra caracterizam aerossóis.
- B)as precauções por contato são indicadas para evitar a transmissão de agentes infecciosos, incluindo microrganismos de importância epidemiológica, que se espalham por contato direto ou indireto, como em doenças como meningite e influenza;
Errada, porque meningite e influenza são tipicamente associadas a precauções por gotículas, não por contato.
- C)a precaução padrão é indicada para paciente com suspeita de infecção transmitida por contato, gotículas e aerossóis, devendo ser substituída por precaução específica quando houver a confirmação do diagnóstico;
Errada, porque a precaução padrão é aplicada a todos os pacientes e não substitui as precauções específicas por contato, gotículas ou aerossóis.
- D)os pacientes com infecções transmitidas por aerossóis, como é o caso da tuberculose, podem ser internados com outros pacientes com infecção pelo mesmo microrganismo, com exceção dos pacientes com suspeita de tuberculose resistente ao tratamento;
Certa, porque pacientes com a mesma infecção transmitida por aerossóis, como tuberculose, podem ser coorteados, com cautela especial nos casos suspeitos de resistência.
- E)em casos de infecções transmitidas por gotículas, o uso de máscara cirúrgica pelo paciente e pelo profissional de saúde, associado a precauções gerais, é suficiente para prevenir a transmissão em um ambiente compartilhado.
Errada, porque em infecções por gotículas a máscara cirúrgica ajuda, mas a medida deve ser associada às precauções de transmissão adequadas, e não tratada como solução isolada em ambiente compartilhado.
Gabarito: D
As precauções por forma de transmissão são aquelas que entram em cena quando o agente infeccioso tem um jeito de espalhar mais específico: contato, gotículas ou aerossóis. A lógica é simples, mas a prova costuma embaralhar tudo: cada via exige barreiras diferentes, e o tamanho da partícula faz toda a diferença. Nas gotículas, falamos de partículas maiores que 5 micra, que não ficam “voando” longe. Por isso, o cuidado envolve máscara cirúrgica, principalmente em situações de proximidade. Já nos aerossóis, as partículas são menores que 5 micra, permanecem suspensas no ar e exigem precauções mais rigorosas, como ambiente adequado e respirador N95/PFF2 para a equipe. A alternativa D está correta porque a tuberculose é clássica transmissão por aerossóis, e a coorte de pacientes com o mesmo microrganismo pode ser adotada como medida de organização assistencial. A ressalva importante, cobrada em protocolos de controle de infecção, é que pacientes com suspeita de tuberculose resistente ao tratamento não devem ser colocados junto de outros sem essa mesma condição, para não ampliar risco de transmissão de cepas resistentes. Isso está alinhado às diretrizes de controle de infecção e às recomendações de precauções baseadas na transmissão. Na prática, pense assim: o hospital não escolhe a proteção no chute. Ele olha como o patógeno se comporta e monta a barreira certa. É esse raciocínio que a FGV adora testar, trocando os rótulos de gotícula, aerossol e contato para ver se voce morde a isca.