Um paciente de 48 anos com doença renal crônica (DRC) estágio 4, está internado para o acompanhamento da progressão da doença. Durante a avaliação de enfermagem, ele relata fraqueza, náuseas frequentes e apresenta edema moderado em membros inferiores. Seus exames laboratoriais revelam Hb (hemoglobina) de 8,5 g/dL e fósforo sérico (P) de 6,8 mg/dL. A conduta correta a ser tomada pelo enfermeiro é
- A)verificar com o médico a necessidade de suspender a administração de eritropoetina devido ao risco de aumento da fraqueza muscular.
Errada, porque a eritropoetina não é suspensa por fraqueza muscular; ela costuma ser indicada para tratar a anemia da DRC.
- B)incentivar a ingestão de alimentos ricos em fósforo para corrigir os níveis de anemia.
Errada, porque alimentos ricos em fósforo pioram a hiperfosfatemia e não corrigem anemia.
- C)aumentar a ingestão de líquidos para diluir o fósforo sérico elevado e reduzir os efeitos da hiperfosfatemia.
Errada, porque aumentar líquidos não corrige hiperfosfatemia na DRC e pode até ser inadequado dependendo da retenção hídrica.
- D)solicitar exames de sangue para avaliar marcadores inflamatórios.
Errada, porque a questão já traz dados laboratoriais suficientes para a conduta imediata, e marcadores inflamatórios não são o foco aqui.
- E)orientar sobre restrição de alimentos ricos em fósforo e administrar quelantes de fósforo conforme prescrição médica.
Certa, porque a hiperfosfatemia na DRC deve ser manejada com restrição de fósforo na dieta e quelantes prescritos.
Gabarito: E
Na doença renal crônica estágio 4, o rim já perdeu bastante da capacidade de eliminar fósforo, então a hiperfosfatemia é um achado comum e precisa de manejo. Quando o fósforo sobe, ele piora o equilíbrio mineral do organismo, favorece alterações ósseas e pode contribuir para prurido, mal-estar e progressão de complicações da DRC. Por isso, a orientação de enfermagem inclui dieta com restrição de alimentos ricos em fósforo e o uso de quelantes de fósforo conforme prescrição médica, que ajudam a reduzir a absorção intestinal desse mineral. A anemia da DRC também é frequente, porque o rim doente produz menos eritropoetina. A hemoglobina de 8,5 g/dL explica parte da fraqueza relatada, mas não justifica suspender eritropoetina; ao contrário, esse tratamento costuma ser usado justamente para corrigir a anemia, sempre com monitorização e prescrição. Então, a lógica da questão é olhar para os dois problemas principais e não sair tratando o fósforo com bebida, milagre ou improviso. Assim, o gabarito é a alternativa E porque ela combina duas condutas corretas na DRC: controle dietético do fósforo e uso de quelantes. Essa é uma conduta clássica, alinhada às práticas assistenciais recomendadas para pacientes com distúrbio mineral e ósseo da DRC, dentro do cuidado multiprofissional. Em prova, quando aparecer fósforo alto em paciente renal, pense primeiro em restrição dietética e quelantes, não em aumentar líquidos ou reforçar alimentos ricos em fósforo.