As medidas antropométricas são ferramentas fundamentais na avaliação do estado nutricional do paciente, permitindo o monitoramento de riscos à saúde e intervenções terapêuticas. Nesse sentido, é correto afirmar que:
- A)a altura é medida em pacientes acamados utilizando a extensão do braço dominante, sendo considerado um valor confiável por se correlacionar diretamente com a estatura de pacientes sem deformidades ósseas ou alterações musculoesqueléticas;
Errada: a estatura em pacientes acamados pode ser estimada por envergadura ou altura do joelho, mas a alternativa simplifica de forma inadequada e não descreve o método padrão com segurança.
- B)a circunferência da cintura deve ser aferida no ponto mais estreito entre as últimas costelas e a crista ilíaca, sendo um indicador independente do risco cardiometabólico, especialmente quando maior que 102 cm em homens ou 88 cm em mulheres;
Certa: a circunferência da cintura é um bom marcador de risco cardiometabólico, e os pontos de corte de 102 cm para homens e 88 cm para mulheres são clássicos em adultos.
- C)o índice de massa corporal (IMC) é inadequado para avaliar obesidade em idosos, pois superestima a gordura corporal nessa população. Portanto, índices alternativos, como a razão cintura-quadril (RCQ), são mais apropriados em pacientes acima de 65 anos;
Errada: o IMC continua sendo útil em idosos, embora deva ser interpretado com cautela; além disso, a RCQ não substitui automaticamente o IMC como método mais apropriado.
- D)a avaliação do perímetro do braço é realizada no terço médio do braço direito, independentemente da lateralidade, e reflete diretamente as reservas musculares e gordurosas do indivíduo, sendo útil em pacientes gravemente enfermos;
Errada: a medida do perímetro do braço é feita no braço não dominante, em geral no ponto médio entre acrômio e olécrano, e não reflete sozinha e de modo direto as reservas corporais.
- E)a dobra cutânea subescapular é medida com o paciente em decúbito dorsal, para reduzir interferências musculares. Essa medida é mais relevante para crianças e adolescentes devido ao crescimento acelerado e à necessidade de avaliação precoce de reservas adiposas.
Errada: a dobra cutânea subescapular é medida com o paciente em posição adequada, geralmente em pé ou sentado, e não em decúbito dorsal; além disso, não é exclusiva de crianças e adolescentes.
Gabarito: B
As medidas antropométricas ajudam a enxergar, de forma rápida e prática, como anda o estado nutricional do paciente. Elas são muito usadas na triagem, no acompanhamento de doenças crônicas e na avaliação de risco cardiometabólico. O segredo aqui é lembrar que cada medida tem um objetivo: umas estimam composição corporal, outras ajudam a identificar risco cardiovascular e outras servem quando a medida direta fica difícil, como em pacientes acamados. A circunferência da cintura é uma das mais queridinhas da prática clínica porque se relaciona com gordura abdominal, que é a parte mais associada ao risco cardiovascular e metabólico. Em adultos, valores acima de 102 cm em homens e 88 cm em mulheres indicam risco aumentado. Por isso, a alternativa B está correta ao destacar a cintura como indicador independente de risco cardiometabólico. Um detalhe importante: a técnica da medida da cintura costuma ser feita no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, ou em ponto anatômico padronizado conforme o protocolo adotado. Em prova, a banca gosta de cobrar a ideia central, que é a ligação entre cintura aumentada e risco à saúde, mais do que a tecnicalidade do milímetro da fita. Já as demais alternativas misturam conceitos ou trazem posições/técnicas incorretas. Em antropometria, a FGV adora trocar o nome da medida, o local da aferição ou o público-alvo, então vale manter a atenção ligada no modo alerta nutricional.