Um servidor de um órgão público sentiu-se mal durante o expediente e foi conduzido ao serviço médico. Durante o atendimento ele apresentou uma parada cardiorrespiratória, sendo prontamente socorrido pela equipe de saúde. Nesse caso, acerca da assistência a ser prestada, assinale a afirmativa correta.
- A)Deve-se iniciar imediatamente compressões torácicas de alta qualidade, a uma frequência de pelo menos 100-120 compressões por minuto.
Certa: em PCR, deve-se iniciar imediatamente compressões torácicas de alta qualidade, com frequência de 100 a 120 por minuto.
- B)Recomenda-se ventilar o paciente antes de iniciar as compressões torácicas, independentemente do tempo de parada cardiorrespiratória.
Errada: a ventilação não deve ser priorizada antes das compressões, pois isso atrasaria a circulação artificial essencial na PCR.
- C)Deve-se administrar epinefrina intravenosa (IV) o mais precocemente possível, antes de qualquer outra intervenção para aumentar a chance de retorno da circulação espontânea.
Errada: a epinefrina é importante em situações específicas, mas não deve ser a primeira medida antes das manobras iniciais de RCP.
- D)As diretrizes atualizadas recomendam priorizar a desfibrilação inicial antes de iniciar compressões torácicas em todas as situações de parada cardiorrespiratória.
Errada: a desfibrilação é prioritária apenas em ritmos chocáveis e não substitui o início imediato das compressões em todas as paradas.
- E)Um dos cuidados iniciais é a realização de ventilações com bolsa-válvula-máscara em uma frequência de 10 a 20 ventilações por minuto para otimizar a oxigenação da vítima.
Errada: a frequência citada não corresponde ao cuidado inicial isolado e pode induzir conduta inadequada se usada fora do contexto de ventilação durante a RCP.
Gabarito: A
Em parada cardiorrespiratória, o relógio corre contra a vítima: quanto mais rápido a equipe inicia as manobras, maior a chance de retorno da circulação espontânea e de preservação neurológica. Por isso, o primeiro passo prático é começar compressões torácicas de alta qualidade, sem enrolação, com frequência entre 100 e 120 por minuto, profundidade adequada e mínima interrupção. A lógica é simples: na PCR, o sangue precisa continuar circulando artificialmente até que uma intervenção mais específica funcione, como desfibrilação em ritmos chocáveis ou suporte avançado. Ventilar é importante, mas não vem antes das compressões quando a parada já foi reconhecida, sobretudo se a equipe está diante de um adulto com colapso súbito. O gabarito está na alternativa A porque ela descreve exatamente o início correto da ressuscitação cardiopulmonar de alta qualidade. Isso está alinhado com as diretrizes da American Heart Association (AHA) e com os protocolos de suporte básico e avançado de vida, que priorizam compressões imediatas e eficazes. As demais alternativas tentam inverter a ordem das coisas ou exagerar em medidas que não devem atrasar o início das compressões. Em urgência e emergência, o mantra é: reconhecer, chamar ajuda e comprimir cedo. O resto vem em sequência, mas nunca antes do básico bem feito.