Uma unidade de internação identificou um aumento de casos de infecção por Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC). A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do hospital está implementando medidas preventivas para conter a disseminação desse patógeno multirresistente. Com base nas recomendações da Anvisa para a prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) e controle de microrganismos multirresistentes, a alternativa que corresponde à medida de prevenção adequada é:
- A)isolamento respiratório do paciente e uso de máscara N95 para todos os profissionais durante o atendimento direto;
Errada, porque KPC não exige isolamento respiratório nem máscara N95, já que a transmissão principal é por contato, não por via aérea.
- B)uso de precauções padrão associadas às precauções de contato, incluindo avental e luvas, e priorização da higiene das mãos;
Certa, porque o controle de microrganismos multirresistentes inclui precauções padrão, precauções de contato, uso de avental e luvas e higiene das mãos rigorosa.
- C)uso de desinfetantes de baixo nível para limpeza de superfícies ao redor do leito, associado ao descarte regular de resíduos contaminados;
Errada, porque desinfetante de baixo nível não é suficiente para o ambiente de um paciente com microrganismo multirresistente, exigindo maior rigor na limpeza e desinfecção.
- D)transferência imediata do paciente para uma unidade de isolamento, mantendo as precauções por gotículas para os profissionais de saúde e acompanhantes;
Errada, porque precaução por gotículas não é a principal medida para KPC; o foco é a transmissão por contato e não o isolamento respiratório.
- E)uso de antimicrobianos profiláticos para todos os pacientes da unidade e filtro HEPA nas enfermarias para prevenir novas colonizações por KPC.
Errada, porque profilaxia antibiótica em toda a unidade favorece resistência e filtro HEPA não é a medida indicada para prevenção de disseminação de KPC.
Gabarito: B
A Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC) é um exemplo clássico de microrganismo multirresistente, daqueles que exigem atenção redobrada da equipe. Nesses casos, a prevenção não depende de uma medida “milagrosa”, mas de um pacote de ações bem feito, com destaque para as precauções padrão e, quando indicado, as precauções de contato. Na prática, isso significa higiene das mãos com rigor, uso de luvas e avental ao manipular o paciente ou o ambiente próximo, além de organização para evitar a transmissão cruzada entre pacientes. A Anvisa orienta que, para microrganismos multirresistentes, a barreira principal é interromper a circulação do agente por meio do contato, especialmente em áreas com paciente colonizado ou infectado. É por isso que o item B está correto: ele reúne as precauções padrão, que valem para todo paciente, e as precauções de contato, que são a medida adequada para conter a disseminação de KPC. O ponto mais importante aqui é a higiene das mãos, que continua sendo a estrela da festa, mesmo quando o germe tenta parecer invencível. As demais alternativas misturam condutas de outros cenários, como isolamento respiratório, precaução por gotículas, desinfecção inadequada e uso indiscriminado de antimicrobianos. Em controle de IRAS, não existe atalho: o caminho seguro é aplicar a medida certa para o modo de transmissão certo.