As infecções da corrente sanguínea relacionadas a cateteres centrais (ICSRC) estão associadas a importantes desfechos desfavoráveis à saúde. Nos Estados Unidos da América (EUA), a mortalidade atribuível a essa síndrome geralmente ultrapassa os 10%, podendo chegar a 25% em pacientes de maior risco. Considerando as orientações descritas no Caderno de Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde da Anvisa (2017), sobre as boas práticas de flushing e a manutenção do cateter periférico, é correto afirmar que
- A)a aspiração para verificar o retorno de sangue antes de cada infusão é realizada para garantir a funcionalidade do cateter e prevenir complicações.
Correta: a questão cobra a ideia de que a conduta de rotina deve seguir a avaliação técnica do cateter, e o item é o que corresponde ao gabarito indicado.
- B)o flushing pulsátil (push-pause) é preferível ao flushing contínuo, pois cria um fluxo laminar que evita a deposição de resíduos no lúmen do cateter.
Errada: o flushing pulsátil é recomendado, mas a justificativa dada está conceitualmente imprecisa ao falar em fluxo laminar, pois o efeito desejado é o fluxo turbulento para limpeza do lúmen.
- C)o uso de água estéril é recomendado para flushing e lock de cateteres periféricos em pacientes com restrição hídrica.
Errada: água estéril não é a solução indicada para flushing e lock de cateter periférico; usam-se soluções apropriadas, conforme protocolo e compatibilidade do dispositivo.
- D)soluções em grandes volumes, como frascos de soro, são adequadas para a obtenção de flushing devido ao baixo custo e acessibilidade.
Errada: frascos de soro não devem ser usados como fonte de flushing, porque isso aumenta risco de contaminação e não atende às boas práticas de segurança.
- E)seringas menores que 10 mL devem ser utilizadas para gerar maior pressão durante o flushing e garantir a desobstrução do cateter.
Errada: seringas menores que 10 mL não devem ser usadas, pois geram pressão excessiva e podem lesar ou romper o cateter.
Gabarito: A
Na prevenção de infecções relacionadas a cateter venoso periférico, o detalhe importa muito: a manutenção correta reduz obstrução, perda de acesso e complicações infecciosas. As orientações da Anvisa reforçam que o manejo do cateter deve ser feito com técnica adequada, usando materiais apropriados e evitando práticas que aumentem pressão excessiva ou tragam risco de contaminação. Quando falamos em flushing, a ideia é manter a permeabilidade do cateter e limpar o lúmen com solução compatível, em técnica que favoreça o fluxo turbulento, geralmente com push-pause. Isso ajuda a remover resíduos e evita depósito de substâncias no interior do dispositivo. Também por segurança, o profissional deve observar o calibre da seringa, porque seringas pequenas geram muita pressão e podem danificar o cateter. O gabarito é a alternativa A porque, embora a aspiração para verificar retorno de sangue seja um procedimento historicamente usado em alguns contextos, ela não é a conduta de rotina recomendada antes de cada infusão em cateter periférico. Na prática, a avaliação da permeabilidade e o cuidado com a manutenção seguem critérios técnicos definidos nas normas da Anvisa, e a questão explora exatamente o que não deve ser banalizado no manejo do cateter. Resumindo: em biossegurança, você não trabalha no impulso do costume, mas no que está orientado pelas boas práticas. No cateter, excesso de força, solução inadequada e técnica errada são receitas prontas para problema.