A vigilância em saúde ambiental se dedica ao estudo e à proposição de medidas de atenção integral à saúde de pessoas expostas a riscos relacionados a substâncias químicas advindas das inter-relações entre o homem e o ambiente. No atendimento de enfermagem a um adulto trabalhador com intoxicação aguda por agrotóxicos, assinale a afirmativa correta.
- A)Na medida dos sinais vitais, a FC (frequência cardíaca) foi de menos de 40; nesse caso, essa taquicardia indica comprometimento cardiovascular.
Errada, porque frequência cardíaca menor que 40 caracteriza bradicardia, não taquicardia, e pode sim indicar comprometimento cardiovascular.
- B)Se o trabalhador em questão estiver com sintomas leves, o técnico de enfermagem atua no monitoramento por um período mínimo de 6 a 12 horas, acompanhando os seguintes parâmetros: estado de alerta; sinais neurológicos; sinais vitais; se possível, oximetria de pulso.
Certa, pois em intoxicação leve por agrotóxicos é indicado monitorar o paciente por 6 a 12 horas com avaliação do estado neurológico, sinais vitais e oximetria se disponível.
- C)Nas estratégias terapêuticas indicadas não se considera a toxicodinâmica da substância química, mas apenas a sua toxicocinética, pois, para o tratamento, é importante saber a distribuição, o metabolismo e a excreção do agente tóxico.
Errada, porque o tratamento considera tanto toxicodinâmica quanto toxicocinética, já que é preciso entender o efeito do agente e seu comportamento no organismo.
- D)Na realização do cuidado de descontaminação ocular, os olhos devem ser lavados com as pálpebras abertas e com fluxo contínuo de água, pois no caso de intoxicação com agrotóxico não se pode usar solução fisiológica.
Errada, porque na descontaminação ocular deve-se irrigar abundantemente com água ou soro fisiológico, e a solução fisiológica pode ser usada sim.
- E)No caso de descontaminação gástrica, o técnico de enfermagem deve ajudar o paciente na indução ao vômito e usar Equipamento de Proteção Individual (EPI).
Errada, porque não se deve induzir vômito em intoxicação por agrotóxicos; a conduta de descontaminação gástrica depende da avaliação clínica e da orientação do serviço toxicológico.
Gabarito: B
A intoxicação aguda por agrotóxicos é uma situação que exige observação rápida, cuidado com a descontaminação e vigilância dos sinais clínicos, porque o quadro pode piorar de forma silenciosa ou bem rápida. Em geral, na assistência de enfermagem, o foco inicial é proteger a equipe, interromper a exposição e monitorar o paciente de perto, especialmente se os sintomas forem leves no momento da admissão. Nesses casos leves, o técnico de enfermagem pode ficar responsável pelo monitoramento por um período mínimo de 6 a 12 horas, acompanhando estado de alerta, sinais neurológicos, sinais vitais e, se possível, a oximetria de pulso. Isso faz sentido porque alguns agrotóxicos, especialmente os organofosforados e carbamatos, podem causar piora progressiva, com risco de broncorreia, bradicardia, miose e insuficiência respiratória. A banca costuma cobrar muito a lógica da conduta: primeiro avaliar, depois descontaminar, e sempre observar o paciente. Também gosta de misturar conceitos de toxicodinâmica e toxicocinética para confundir. Aqui, o essencial é lembrar que a toxicidade da substância depende tanto do que ela faz no organismo quanto de como ela é absorvida, distribuída, metabolizada e excretada. O gabarito é a letra B porque o monitoramento por 6 a 12 horas com esses parâmetros é a conduta adequada para quadro leve. Já as demais alternativas trazem erros de conceito ou de procedimento, como confundir bradicardia com taquicardia, negar a importância da toxicodinâmica, proibir solução fisiológica no olho e incentivar vômito, que não deve ser induzido.