Na sala de vacina, o técnico de enfermagem atua na avaliação da caderneta vacinal, como também nas orientações sobre a finalidade dos imunizantes e nos cuidados pós-vacina. Ao receber um usuário idoso, o técnico deve lembrar que
- A)a vacina hepatite B (HB-recombinante) é indicada até os 59 anos, não devendo, portanto, ser administrada em pessoas com 60 anos ou mais.
Errada, porque a vacina hepatite B pode ser indicada em idosos não vacinados, não havendo esse limite rígido até 59 anos.
- B)a administração da vacina febre amarela em pessoas com 60 anos ou mais deverá considerar a relação risco x benefício da vacinação.
Certa, porque em pessoas com 60 anos ou mais a vacina febre amarela deve ser avaliada caso a caso, considerando risco e benefício.
- C)pessoas idosas só podem ser vacinadas mediante prescrição de um médico gerontólogo.
Errada, porque idoso não precisa de prescrição de médico gerontólogo para vacinar; a avaliação pode ser feita na própria sala de vacina conforme protocolo.
- D)a vacina tríplice viral é administrada em duas doses, com intervalo de 30 dias.
Errada, porque a tríplice viral não segue essa regra geral de duas doses com 30 dias para idosos, e a indicação depende da faixa etária e do histórico vacinal.
- E)apesar de poder ser aplicada, a vacina dTpa não é recomendada, pois idosos não são susceptíveis a contrair coqueluche.
Errada, porque idosos podem ser suscetíveis à coqueluche e a dTpa pode ser indicada em situações específicas, não sendo descartada por esse motivo.
Gabarito: B
Na sala de vacina, o técnico precisa olhar a caderneta sem pressa e sem chute: idade, histórico vacinal, comorbidades e risco de exposição mudam a indicação. Em idosos, isso fica ainda mais importante porque algumas vacinas são de rotina e outras exigem avaliação individual, especialmente quando há maior chance de evento adverso ou doença grave. A questão bate exatamente nisso com a febre amarela. Em pessoas com 60 anos ou mais, a vacina não é proibida de forma automática, mas a decisão deve considerar a relação risco x benefício. Isso ocorre porque, nessa faixa etária, o risco de eventos adversos pode ser maior, então a vacinação precisa ser ponderada, conforme as orientações do Programa Nacional de Imunizações e das notas técnicas do Ministério da Saúde. Em outras palavras: idoso não é sinônimo de "não pode vacinar". Muito pelo contrário, muitos idosos devem ser vacinados, desde que a indicação seja correta. O segredo da prova é perceber quando a banca troca uma orientação de cautela por uma proibição absoluta, que é um truque clássico. Por isso, o gabarito é a letra B: a vacina febre amarela em pessoas com 60 anos ou mais deve ser avaliada pela relação risco x benefício. É a resposta alinhada à prática segura e às recomendações oficiais.