Um paciente de 68 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial, é admitido no pronto-socorro com febre (39,2 °C), taquicardia (FC = 120 bpm), hipotensão (PA = 85/50 mmHg) e confusão mental. O exame físico revela pele quente e hiperemiada. Foi iniciado o protocolo de sepse com base nos critérios de síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e disfunções orgânicas apresentadas pelo paciente. Entre os critérios que caracterizam a disfunção orgânica, está:
- A)PA sistólica < 95 mmhg;
Errada: PAS sistólica < 95 mmHg indica hipotensão, mas o critério clássico de disfunção orgânica na sepse costuma ser mais específico, como hipotensão persistente ou choque.
- B)temperatura axilar > 38 °C;
Errada: temperatura axilar > 38 °C é critério de SIRS, não de disfunção orgânica.
- C)débito urinário < 0,5 ml/kg/h;
Certa: débito urinário < 0,5 mL/kg/h é marcador de disfunção renal e, portanto, de disfunção orgânica na sepse.
- D)frequência cardíaca > 90 bpm;
Errada: frequência cardíaca > 90 bpm é critério de SIRS, não de lesão orgânica.
- E)frequência respiratória > 20 rpm.
Errada: frequência respiratória > 20 rpm também faz parte dos critérios de SIRS, não define disfunção orgânica.
Gabarito: C
Na sepse, além dos sinais de inflamação sistêmica, o que pesa de verdade é a disfunção orgânica. É aqui que a prova gosta de testar se você sabe separar "sinais de infecção" de "falência de órgão". Febre, taquicardia e taquipneia entram no pacote de SIRS, mas não definem por si sós a disfunção orgânica. Entre os critérios de disfunção orgânica clássicos estão, por exemplo, hipotensão, alteração do nível de consciência e redução da perfusão renal. Um marcador bem cobrado é o débito urinário reduzido, porque ele mostra que o rim já está sofrendo com a hipoperfusão. Em geral, considera-se disfunção orgânica quando o débito urinário fica abaixo de 0,5 mL/kg/h. Por isso, o gabarito é a letra C. O paciente do enunciado já apresenta sinais de gravidade, como hipotensão e confusão mental, e a alternativa C traz um critério típico de disfunção orgânica na sepse. É um daqueles pontos em que a banca separa quem decorou SIRS de quem entendeu o protocolo. Como reforço de prova: SIRS é o alarme, mas disfunção orgânica é o sinal de que o corpo já está perdendo o controle. Na prática assistencial e nos protocolos de sepse, isso muda a urgência da abordagem e a necessidade de intervenção imediata.