Um paciente adulto, internado em uma unidade de pronto atendimento, apresenta choque séptico refratário à reposição volêmica. Foi prescrito um agente vasoativo com o objetivo de manter a PAM >= 65 mmHg. Sobre a administração desse medicamento, é correto afirmar que:
- A)a administração de vasopressores deve ser feita preferencialmente por via periférica, pois essa via reduz o risco de complicações, como necrose tecidual;
Errada, porque vasopressores não devem ser preferencialmente administrados por via periférica, já que isso aumenta o risco de extravasamento e necrose tecidual.
- B)a dopamina é a droga vasoativa de primeira escolha para o choque séptico, pois tem efeito predominantemente vasodilatador e melhora a perfusão renal sem causar efeitos adversos significativos;
Errada, porque a dopamina não é a primeira escolha no choque séptico e não tem efeito predominantemente vasodilatador; além disso, pode causar mais arritmias e efeitos adversos.
- C)os vasopressores devem ser administrados preferencialmente por acesso venoso central para evitar complicações, como necrose tecidual em caso de extravasamento;
Certa, porque o acesso venoso central é o preferencial para infusão de vasopressores, reduzindo o risco de complicações locais graves em caso de extravasamento.
- D)o uso de vasopressores, como noradrenalina e vasopressina, está indicado em todos os casos de choque hipovolêmico, pois promove aumento do débito cardíaco independentemente da reposição volêmica;
Errada, porque vasopressores não são indicados em todos os choques hipovolêmicos e não substituem a reposição volêmica adequada.
- E)os efeitos adversos dos vasopressores são limitados e incluem principalmente hipotensão postural transitória e bradicardia compensatória.
Errada, porque vasopressores podem causar efeitos adversos importantes, como arritmias, isquemia periférica, hipertensão e necrose por extravasamento, e não apenas hipotensão postural e bradicardia.
Gabarito: C
No choque séptico refratário à reposição volêmica, o objetivo do vasopressor é restaurar a perfusão tecidual e manter a PAM em pelo menos 65 mmHg. Na prática, isso costuma ser feito com drogas vasoativas como a noradrenalina, que é o agente de primeira linha em muitas diretrizes para choque séptico. Como esses medicamentos podem causar vasoconstrição intensa, o ideal é que sejam infundidos por acesso venoso central, pois isso reduz o risco de lesão grave em caso de extravasamento. É justamente por isso que a alternativa C está correta: o acesso venoso central é preferencial para a administração de vasopressores, porque a extravasação por via periférica pode causar complicações locais importantes, inclusive isquemia e necrose tecidual. Se não houver tempo ou acesso central imediato, a via periférica pode ser usada de forma temporária e monitorizada, mas não é a via preferida. A banca também gosta de testar o que não deve ser feito. Dopamina não é a droga de primeira escolha no choque séptico, e vasopressores não substituem a reposição volêmica quando o problema é hipovolemia. Primeiro vem a avaliação e correção do volume, depois, se persistir hipotensão, entram os vasoativos. Em resumo: vasoativo é ferramenta de resgate hemodinâmico, não atalho para pular a hidratação. Como referência doutrinária, isso está alinhado às recomendações atuais de terapia do choque séptico, como as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, que priorizam noradrenalina e recomendam cuidado com a via de administração para reduzir eventos adversos locais.