Há métodos diagnósticos que devem ser feitos no período da consulta para possibilitar decisões rápidas e seguras que conduzam à feitura de um plano terapêutico e de cuidados adequados à situação clínica do usuário. No atendimento de enfermagem, a enfermeira se deparou com a seguinte situação: F.L.Z., 35 anos, sexo masculino, solteiro, bissexual. Relatou ter mantido relação sexual casual com outro homem, de forma desprotegida, há pouco mais de 48 horas. Compareceu ao serviço de saúde para solicitar a PEP (Profilaxia Pós-Exposição), pois conhece várias pessoas que a usam para reduzir o risco de se infectar com alguma IST (Infecção Sexualmente Transmissível) e/ou com o vírus da Aids. No âmbito da consulta, a enfermeira forneceu algumas explicações para dar ampla ciência sobre seu caso e sobre o atendimento. Com base nesse histórico e no tema tratado, avalie as afirmativas a seguir. I. Ainda que esteja disponível, no caso de F.L.Z. não está indicado o uso de PEP, pois este tipo de profilaxia deve ser instituído em até 48 horas após a exposição. II.A decisão pelo uso da PEP dependerá do status sorológico para HIV, a ser avaliado por meio de testes rápidos (TRs). III. Para uma pessoa com a história de F.L.Z., que compareça à unidade de saúde dentro da janela de tempo prevista no protocolo do Ministério da Saúde (MS) e cujo teste rápido é não reagente para o HIV no momento do atendimento, a PEP está indicada. IV. Pelo histórico apresentado e pelo fato de a relação sexual ter sido casual, o tipo de profilaxia indicada é a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) a ser aplicada por sete dias consecutivos, a contar do dia da consulta. As afirmativas a serem consideradas no atendimento do usuário F.L.Z. são
- A)I, II e IV.
Errada, porque a PEP pode ser iniciada em até 72 horas após a exposição, e não apenas em até 48 horas; além disso, a IV confunde PEP com PrEP.
- B)I e IV, apenas.
Errada, porque a afirmativa I está incorreta ao limitar a PEP a 48 horas e a IV também está errada ao trocar PEP por PrEP e inventar uso por 7 dias.
- C)II e IV, apenas.
Errada, porque a II está correta, mas a IV está errada: PrEP não é medida pós-exposição e não é prescrita por 7 dias após a relação.
- D)I e II, apenas.
Errada, porque a I está incorreta ao afirmar que a PEP não se aplica após 48 horas; o prazo protocolar é de até 72 horas.
- E)II e III, apenas.
Certa, porque a decisão sobre PEP depende do teste rápido para HIV e, dentro da janela de até 72 horas, uma exposição sexual desprotegida com TR não reagente indica PEP.
Gabarito: E
A PEP (profilaxia pós-exposição) é uma medida de urgência: quanto antes iniciar, melhor, e o prazo aceito nos protocolos do Ministério da Saúde é de até 72 horas após a exposição, não 48 horas. Por isso, no caso de F.L.Z., que procurou atendimento com pouco mais de 48 horas, ainda existe indicação de avaliar e, em geral, iniciar a PEP se a exposição for de risco. Na consulta, o teste rápido para HIV faz parte da tomada de decisão. Se a pessoa já vive com HIV, a conduta muda completamente, porque não se trata de PEP. Se o teste é não reagente e a exposição foi recente e significativa, a PEP está indicada, desde que dentro da janela temporal prevista no protocolo. A frase que mistura PrEP com exposição recente é uma armadilha clássica. PrEP é profilaxia pré-exposição, isto é, para uso contínuo antes do risco, e não uma pílula de 7 dias após a relação. Quem entra em campo depois da exposição é a PEP, seguindo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde para PEP ao HIV. Assim, a afirmativa II está correta porque a decisão depende do status sorológico avaliado por teste rápido, e a III também está correta porque, dentro da janela e com TR não reagente, a PEP é indicada. As demais erram o tempo da PEP e confundem PEP com PrEP.