Em uma unidade de emergência o enfermeiro de plantão atende um paciente de 58 anos, sexo masculino, com queixa de dor torácica que irradia para o membro superior esquerdo, apresentando pele fria, pálida e úmida, frequência cardíaca e frequência respiratória aumentadas, quando comparadas ao padrão normal para a faixa etária. Sobre esse atendimento, avalie as afirmativas a seguir. I. No exame físico o enfermeiro deve avaliar o nível de consciência, as bulhas cardíacas, a pressão arterial, os pulsos periféricos, auscultar os campos pulmonares, avaliar a motilidade intestinal, observar o débito urinário e verificar a existência de edema. II. O enfermeiro deve coletar dados iniciais sobre o estado atual do paciente e compará-los com a evolução do quadro clínico. Isso inclui investigar a história de dor ou desconforto torácico, dispneia, palpitações, fadiga incomum, síncope ou outros sinais que possam indicar isquemia miocárdica. III. O enfermeiro deve realizar um exame mais focado em sinais e sintomas relacionados às doenças do aparelho respiratório, como a asma, e solicitar ao médico prescrição de broncodilatadores para melhorar a dor torácica e os sinais vitais alterados. Está correto apenas o que se afirma em
- A)I e III.
A alternativa reúne as afirmativas I e III. A I descreve uma avaliação clínica ampla, com foco em perfusão e repercussão hemodinâmica, compatível com a abordagem inicial da dor torácica; porém a III desloca o raciocínio para doença respiratória e broncodilatadores, o que não trata a suspeita de isquemia miocárdica. Como uma das afirmativas incluídas não se ajusta ao quadro, a combinação não se sustenta.
- B)II e III.
Aqui se combinam as afirmativas II e III. A II está alinhada à anamnese na suspeita de síndrome coronariana aguda, porque valoriza a história da dor torácica e sintomas associados como dispneia, palpitações, fadiga e síncope; já a III erra ao propor foco em asma e broncodilatador para dor torácica, conduta que não aborda o mecanismo isquêmico. Assim, a presença da III invalida a alternativa.
- C)III.
A alternativa se apoia apenas na III, que direciona o atendimento para uma hipótese respiratória e para uso de broncodilatadores. No cenário descrito, a prioridade é investigar dor torácica de provável origem cardíaca, monitorar e acionar medidas do protocolo de síndrome coronariana aguda; broncodilatadores não são tratamento de rotina para isquemia e podem até agravar a taquicardia. Por isso, o conteúdo da assertiva não corresponde ao caso.
- D)I.
A I descreve itens pertinentes ao exame físico inicial do paciente com suspeita de comprometimento cardiovascular, como nível de consciência, bulhas, pressão arterial, pulsos periféricos, ausculta pulmonar, diurese e edema, todos úteis para avaliar perfusão e congestão. O problema é que o comando pede apenas o que está correto, e a II também está correta ao orientar a coleta de dados da dor e de sintomas típicos de isquemia miocárdica. Logo, limitar a resposta à I deixa de fora outra afirmativa verdadeira.
- E)I e II.
A I está de acordo com a avaliação de enfermagem na dor torácica: o exame físico deve buscar sinais de instabilidade hemodinâmica, má perfusão e congestão, como alteração do nível de consciência, pulsos, pressão, ausculta cardíaca e pulmonar, edema e diurese. A II também está correta porque, na suspeita de síndrome coronariana aguda, a história da dor e de sintomas como dispneia, palpitações, fadiga e síncope orienta a identificação de isquemia miocárdica. Como a III desvia para quadro respiratório e broncodilatadores, a combinação adequada é I e II.
Gabarito: E
Em um paciente com dor torácica típica, o raciocínio do enfermeiro deve apontar primeiro para uma possível síndrome coronariana aguda. Nessa hora, a avaliação não é “genérica”: ela precisa ser rápida, dirigida e completa, porque cada minuto conta para identificar isquemia miocárdica e suas repercussões hemodinâmicas. A afirmativa I está correta porque o exame físico em urgência cardiovascular inclui avaliação do nível de consciência, bulhas cardíacas, pressão arterial, pulsos periféricos, ausculta pulmonar, débito urinário e presença de edema. Isso ajuda a detectar perfusão inadequada, congestão e sinais de insuficiência cardíaca associada ao quadro. A afirmativa II também está correta. O enfermeiro deve coletar dados iniciais e comparar com a evolução clínica, investigando dor ou desconforto torácico, dispneia, palpitações, fadiga incomum, síncope e outros sinais compatíveis com isquemia miocárdica. Esse raciocínio é coerente com a prática clínica e com a sistematização da assistência de enfermagem prevista na Lei 7.498/1986 e no Decreto 94.406/1987, que atribuem ao enfermeiro avaliação e cuidado direto ao paciente grave. Já a afirmativa III está errada porque o foco não deve ser doença respiratória como asma, nem broncodilatador para “melhorar” dor torácica de provável origem cardíaca. Em suspeita de síndrome coronariana aguda, o enfermeiro deve priorizar monitorização, oxigenação se indicada, acesso venoso, ECG e comunicação imediata da equipe médica, sem desviar o atendimento para uma hipótese que não explica bem o quadro.