Um profissional de saúde sofreu um acidente de trabalho com potencial exposição ao HIV. Foram tomadas todas as medidas cabíveis, incluindo a realização de testes rápidos e início da profilaxia pós-exposição (PEP) com antirretroviral (ARV). Nesse caso, acerca da PEP e da repetição dos testes, é correto afirmar que:
- A)nos casos em que o atendimento ocorrer após 72 horas da exposição, a PEP deve ser administrada com o acréscimo de dolutegravir ao esquema principal de ARV;
Errada, porque a PEP não deve ser iniciada após 72 horas da exposição; nesse caso, a profilaxia perde indicação.
- B)quando indicada a PEP, o esquema preferencial antirretroviral deverá ser estruturado com comprimidos de tenofovir e lamivudina;
Errada, porque o esquema preferencial não é composto apenas por tenofovir e lamivudina, faltando o terceiro fármaco do esquema padrão.
- C)a profilaxia pós-exposição com antirretroviral tem duração de 28 dias, devendo ser repetida após 15 dias de pausa e repetição dos testes;
Errada, porque a PEP dura 28 dias contínuos e não deve ser interrompida para repetir depois com pausa.
- D)todas as pessoas potencialmente expostas ao HIV devem repetir testagem em 30 dias após a exposição, caso não tenham completado a profilaxia com ARV;
Errada, porque a repetição da testagem não depende de a pessoa ter ou não completado a PEP; o seguimento sorológico é indicado no acompanhamento.
- E)todas as pessoas potencialmente expostas ao HIV devem repetir testagem em 30 dias após a exposição, mesmo depois de completada a profilaxia com ARV.
Certa, porque após a exposição deve haver repetição da testagem em 30 dias, mesmo se a profilaxia com ARV tiver sido completada.
Gabarito: E
Na exposição ocupacional com risco para HIV, a PEP deve ser iniciada o mais rápido possível, de preferência nas primeiras 2 horas, e não deve ser iniciada se já tiver passado mais de 72 horas do acidente, porque a eficácia cai muito. O esquema usado na prática é feito por 28 dias, com antirretrovirais de primeira linha, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde e as normas de biossegurança e saúde do trabalhador. Um ponto que a banca adora cobrar é o acompanhamento depois da profilaxia. Mesmo que a pessoa tenha feito a PEP corretamente e terminado os 28 dias, a testagem precisa ser repetida depois, em geral com 30 dias e também no seguimento posterior, para descartar infecção soroconvertida. Ou seja: não basta “tomar o remédio e esquecer”, porque o corpo ainda pode estar no período de janela. Por isso, o item E está correto: todas as pessoas potencialmente expostas ao HIV devem repetir a testagem em 30 dias após a exposição, mesmo depois de completada a profilaxia com ARV. A lógica é garantir vigilância sorológica após a exposição, e não apenas durante o uso da medicação. Em resumo: PEP rápida, por 28 dias, esquema padronizado e acompanhamento laboratorial depois. A banca costuma misturar prazo, duração e repetição de testes para ver se você cai no conto da “pausa mágica”, mas aqui a regra é seguir o protocolo do início ao fim.