Um idoso de 78 anos chega à unidade básica de saúde acompanhado por sua filha, que relata que o pai apresenta perda de interesse por atividades e dificuldade em realizar tarefas simples do dia a dia. Durante a consulta, o enfermeiro identifica que o paciente apresenta lentidão ao caminhar e sinais de perda de peso recente. A ação prioritária na avaliação inicial do enfermeiro, considerando as síndromes geriátricas, é iniciar com a
- A)identificação de sinais de desnutrição e realizar uma avaliação nutricional completa.
Incorreta, porque a avaliação nutricional é importante, mas o quadro sugere um problema sindrômico mais amplo, que deve ser rastreado primeiro como fragilidade.
- B)investigação de sinais de depressão utilizando um instrumento de rastreio validado.
Incorreta, porque depressão pode causar perda de interesse e emagrecimento, mas a questão destaca também lentidão e perda funcional, exigindo priorização da triagem de fragilidade.
- C)avaliação de sinais de comprometimento cognitivo para investigar demência.
Incorreta, porque comprometimento cognitivo pode entrar no diferencial, mas não é a ação prioritária diante do conjunto de sinais descritos.
- D)realização de triagem para síndrome da fragilidade.
Correta, porque a combinação de perda de peso, lentidão da marcha e dificuldade funcional é típica de fragilidade e justifica triagem inicial para essa síndrome.
- E)avaliação do risco de quedas utilizando uma escala apropriada.
Incorreta, porque o risco de quedas é relevante, mas costuma ser abordado após ou junto da identificação da síndrome de fragilidade, que organiza melhor a avaliação inicial.
Gabarito: D
Na avaliação do idoso, o enfermeiro precisa pensar primeiro no conjunto de síndromes geriátricas, porque elas costumam aparecer misturadas e uma puxa a outra. Perda de interesse, lentidão para caminhar, perda de peso e dificuldade para atividades do dia a dia acendem um alerta importante para fragilidade, que é uma condição de redução das reservas do organismo e maior vulnerabilidade a quedas, internações e piora funcional. Por isso, a conduta inicial mais coerente é fazer a triagem da síndrome da fragilidade. Essa triagem ajuda a identificar rapidamente o idoso em risco e direciona a avaliação completa, que depois pode incluir cognição, humor, nutrição, mobilidade e risco de quedas. Em outras palavras: antes de sair investigando tudo ao mesmo tempo, você escolhe o eixo que melhor organiza o raciocínio clínico. A fragilidade costuma aparecer com perda de peso não intencional, exaustão, baixa atividade física, fraqueza e lentidão da marcha. É justamente o que a questão descreve. A literatura geriátrica e a prática da Atenção Primária recomendam usar instrumentos de rastreio para fragilidade no início da abordagem, porque isso orienta o cuidado integral e a priorização de intervenções. As outras hipóteses podem até estar associadas ao quadro, mas entram depois ou em paralelo conforme a suspeita clínica. Aqui, o dado central é a combinação de perda funcional, lentidão e emagrecimento recente, que aponta primeiro para fragilidade e não para um diagnóstico isolado de humor, cognição ou nutrição.