Um paciente com hanseníase apresenta “lesões foveolares”, com bordos internos bem definidos, delimitando uma área central de pele aparentemente poupada, enquanto os bordos externos são espraiados, infiltrados e imprecisos. Esse tipo de lesão é típico da hanseníase
- A)dimorfa.
Certa: a descrição é típica da forma dimorfa, que apresenta características intermediárias entre a forma tuberculoide e a virchowiana.
- B)virchowiana.
Errada: a virchowiana costuma ser mais difusa e infiltrativa, com lesões menos bem delimitadas e quadro mais simétrico.
- C)tuberculoide.
Errada: a tuberculoide geralmente tem poucas lesões bem delimitadas, mais secas e com comprometimento sensitivo bem marcado.
- D)indeterminada.
Errada: a indeterminada é a forma inicial, com manchas discretas e pouco características, sem esse aspecto foveolar descrito.
- E)neural pura.
Errada: a neural pura predomina com acometimento neural, sem lesões cutâneas típicas como as descritas no enunciado.
Gabarito: A
Na hanseníase, a aparência da lesão ajuda muito a pensar na forma clínica. Quando o enunciado descreve “lesões foveolares”, com bordos internos bem definidos e uma área central aparentemente poupada, mas com bordos externos espraiados, infiltrados e imprecisos, estamos diante de uma lesão com aspecto misto, isto é, entre os polos tuberculoide e virchowiano. Isso é típico da hanseníase dimorfa, que também pode ser chamada de borderline. A forma dimorfa costuma ser a mais “escorregadia” da prova, porque não é nem muito organizada como a tuberculoide, nem tão difusa como a virchowiana. Ela faz exatamente esse meio-termo: lesões com limites internos nítidos, mas bordas externas mal definidas, refletindo a resposta imune intermediária do paciente. Já a hanseníase tuberculoide tende a ter poucas lesões, bem delimitadas e com alteração de sensibilidade mais evidente. A virchowiana, por sua vez, é a forma difusa, com muitas lesões, infiltração extensa e simetria mais marcada. A indeterminada é a fase inicial, geralmente com manchas discretas e pouco definidas, e a neural pura predomina com comprometimento de nervos, sem lesões cutâneas típicas. Na lógica das provas, sempre que aparecerem lesões “misturadas”, com definição parcial e aspecto intermediário, pense em forma dimorfa. É aquele tipo de descrição que a banca usa para testar se você reconhece o padrão clínico em vez de decorar só nome de forma.