No choque progressivo, alguns mecanismos de feedback positivo diminuem o débito cardíaco e contribuem para a progressão do choque. Um desses mecanismos é o aumento da
- A)secreção de renina.
Errada: a secreção de renina é uma resposta compensatória do sistema renina-angiotensina-aldosterona, tentando preservar pressão e volume, não um mecanismo que por si só defina a piora do choque progressivo.
- B)nutrição tecidual.
Errada: nutrição tecidual não é mecanismo de feedback positivo e, no choque, ela é justamente reduzida pela hipoperfusão.
- C)secreção de vasopressina.
Errada: a vasopressina é liberada como tentativa de compensar a hipovolemia e a hipotensão, ajudando a reter água e vasoconstricção, não sendo o fator clássico que agrava o choque progressivo.
- D)atividade vasomotora.
Errada: a atividade vasomotora faz parte da resposta simpática compensatória inicial; quando falha, o choque piora, mas o termo pedido na questão não é esse.
- E)permeabilidade capilar.
Certa: o aumento da permeabilidade capilar faz sair líquido do vaso para o interstício, reduzindo o volume intravascular e piorando a perfusão, o que alimenta o choque progressivo.
Gabarito: E
No choque progressivo, o organismo entra numa espécie de espiral do mal: em vez de compensar de forma eficiente, os mecanismos de feedback acabam piorando a perfusão tecidual e derrubando ainda mais o débito cardíaco. É o famoso efeito dominó da hipóxia, da acidose e da falha circulatória. Parece que o corpo tenta ajudar, mas em certos momentos ele “aperta o acelerador e o freio ao mesmo tempo”. Um dos principais mecanismos que agravam esse quadro é o aumento da permeabilidade capilar. Quando isso acontece, o líquido sai do espaço intravascular para os tecidos, reduzindo o volume circulante efetivo. Resultado: volta venosa menor, menos pré-carga, menos débito cardíaco e pior perfusão. Ou seja, o choque vai se alimentando de si mesmo. Por isso, a alternativa E está correta. No choque progressivo, o aumento da permeabilidade capilar contribui para edema, hemoconcentração e perda de volume intravascular, o que intensifica a hipotensão e a hipoperfusão. Esse é um ponto clássico da fisiopatologia do choque, muito cobrado em provas de urgência e emergência. As demais alternativas trazem mecanismos que, em geral, são respostas compensatórias ou não representam esse processo de piora direta do choque. A banca gosta bastante de trocar o nome do mecanismo e testar se voce entende a lógica fisiológica, não só a palavra bonita do texto.