Paciente masculino, 47 anos, apresentou quadro de surto psicótico. Após ser medicado com haloperidol evoluiu para um quadro de rigidez muscular, sudorese, hipertermia, alteração neurológica e elevação de creatinina fosfoquinase (CPK). Os sinais e sintomas apresentados são compatíveis com um quadro de:
- A)acatisia;
Acatisia é uma inquietação motora subjetiva com necessidade de se movimentar, sem o conjunto de febre, rigidez e CPK elevada.
- B)disautonomia;
Disautonomia é um termo amplo para alteração autonômica, mas sozinho não define o quadro grave e típico descrito após haloperidol.
- C)discinesia tardia;
Discinesia tardia é um efeito extrapiramidal crônico, com movimentos involuntários, e não causa febre, rigidez intensa e elevação de CPK.
- D)efeitos extrapiramidais;
Efeitos extrapiramidais são possíveis com haloperidol, mas o quadro narrado é muito mais grave e característico de síndrome neuroléptica maligna.
- E)síndrome neuroléptica maligna.
Síndrome neuroléptica maligna é a associação clássica de rigidez, hipertermia, alteração neurológica e aumento de CPK após antipsicótico.
Gabarito: E
A questão descreve um evento adverso grave relacionado ao uso de antipsicótico típico, especialmente o haloperidol. Quando o paciente passa a ter rigidez muscular intensa, sudorese, hipertermia, alteração do estado mental e aumento de CPK, o quadro clássico que deve acender o alerta é a síndrome neuroléptica maligna. É uma reação rara, mas potencialmente fatal, ligada ao bloqueio dopaminérgico, especialmente em situações de dose alta, aumento rápido da medicação ou uso de fármacos de alta potência. O raciocínio aqui é bem clínico: não é apenas “efeito colateral chato” de antipsicótico. A combinação de febre, rigidez importante e disfunção autonômica, somada à elevação de CPK por lesão muscular, aponta para uma síndrome sistêmica grave. Em prova, se aparecer haloperidol + rigidez + hipertermia + alteração neurológica + CPK alta, pode desconfiar sem medo: isso tem cara de síndrome neuroléptica maligna. Esse quadro exige suspensão imediata do neuroléptico e suporte clínico, com monitorização rigorosa. Dependendo da gravidade, podem ser usados medidas de resfriamento, hidratação, benzodiazepínicos e medicações como dantroleno ou bromocriptina, conforme protocolo assistencial. Ou seja, não é para “observar e ver se melhora”, porque a evolução pode ser rápida e perigosa. As demais alternativas até orbitam o tema de efeitos adversos motores e autonômicos dos antipsicóticos, mas nenhuma reúne o conjunto típico descrito no enunciado. Por isso, o gabarito E está correto: o quadro é compatível com síndrome neuroléptica maligna, uma emergência psiquiátrica e clínica bem conhecida em farmacologia e saúde mental.