Uma das causas principais desse tipo de choque é a perda súbita do tônus vasomotor por todo o corpo, resultando de modo especial na dilatação maciça das veias. Ocasionalmente, ocorre sem ter havido qualquer redução do volume sanguíneo. Trata-se do choque:
- A)séptico;
Errada, porque o choque séptico está ligado à infecção e à vasodilatação sistêmica por resposta inflamatória, não à perda do tônus vasomotor por lesão neurológica.
- B)cardiogênico;
Errada, pois o choque cardiogênico decorre de falha da bomba cardíaca, com débito cardíaco reduzido, e não de dilatação venosa maciça por perda do controle simpático.
- C)neurogênico;
Certa, porque a descrição é típica de choque neurogênico, em que há perda súbita do tônus vasomotor e vasodilatação importante, muitas vezes sem hipovolemia.
- D)anafilático;
Errada, já que o choque anafilático resulta de reação alérgica com liberação de mediadores, e não de perda do controle vasomotor por lesão do sistema nervoso.
- E)hemorrágico.
Errada, pois o choque hemorrágico exige perda de sangue e redução do volume circulante, o que não é o mecanismo descrito no enunciado.
Gabarito: C
O enunciado descreve um choque causado por perda súbita do tônus vasomotor, com dilatação importante das veias e, em alguns casos, sem qualquer perda real de volume sanguíneo. Isso é clássico de choque neurogênico. Na prática, ele acontece quando há falha da regulação simpática, geralmente por lesão medular alta ou anestesia neuroaxial, levando a vasodilatação intensa e, muitas vezes, bradicardia. O resultado é que o sangue "fica parado" nas periferias, a pressão cai e o paciente descompensa rápido. Esse tipo de choque se diferencia do hemorrágico porque aqui não há, necessariamente, sangramento nem redução de volemia. Também não é o séptico, que decorre de infecção e resposta inflamatória sistêmica, nem o anafilático, que tem mecanismo alérgico com liberação de mediadores. O cardiogênico, por sua vez, é falha de bomba do coração, outra história completamente diferente. Em prova, a pista mais valiosa é a combinação "perda do tônus vasomotor" + "dilatação maciça das veias" + "sem redução do volume sanguíneo". Isso aponta direto para choque neurogênico, que é um choque distributivo. Em manuais de urgência e emergência, a fisiopatologia é descrita exatamente assim: vasodilatação periférica por perda do estímulo simpático, com hipotensão e bradicardia como achados frequentes. Então, o gabarito C está correto porque o quadro é de choque neurogênico, causado por alteração da inervação vasomotora e não por falta de sangue, infecção ou falência cardíaca.