Paciente submetida à cesariana apresentou, no 27º dia subsequente ao ato cirúrgico, deiscência parcial da parede abdominal e temperatura axilar = 38,5° C. Nesse caso, esse evento é classificado como infecção:
- A)puerperal superficial comunitária;
Errada, porque a infecção puerperal superficial comunitária não corresponde à classificação de sítio cirúrgico e a lesão descrita ultrapassa a camada superficial.
- B)puerperal profunda comunitária;
Errada, porque o quadro não se limita ao puerpério em geral nem à comunidade; além disso, a deiscência da parede abdominal indica acometimento profundo da incisão.
- C)de sítio cirúrgico de órgão/cavidade;
Errada, porque infecção de órgão/cavidade envolve estruturas internas manipuladas na cirurgia, e aqui o enunciado aponta para a parede abdominal.
- D)de sítio cirúrgico incisional superficial;
Errada, porque a infecção incisional superficial atinge pele e tecido subcutâneo, sem deiscência da parede abdominal com comprometimento mais profundo.
- E)de sítio cirúrgico incisional profunda.
Certa, porque deiscência parcial da parede abdominal com febre no 27º dia caracteriza infecção de sítio cirúrgico incisional profunda.
Gabarito: E
Em infecção de sítio cirúrgico, o que manda é olhar três coisas: o tempo desde a cirurgia, o local comprometido e os sinais clínicos. Em cesariana, a janela costuma ser de até 30 dias quando não há implante, então o 27º dia ainda entra no período de vigilância. Até aqui, nada de truque de banca: ainda estamos falando de infecção relacionada ao ato operatório. A classificação clássica divide a infecção de sítio cirúrgico em incisional superficial, incisional profunda e órgão/cavidade. Quando há deiscência parcial da parede abdominal, o problema já não ficou só na pele e no subcutâneo. A parede abdominal sugere acometimento de fáscia e músculo, que é exatamente o território da infecção incisional profunda. A febre de 38,5 C reforça o quadro infeccioso. Pelos critérios usados em vigilância epidemiológica e adotados em manuais como os da ANVISA, infecção incisional profunda envolve tecidos profundos da incisão e pode cursar com deiscência espontânea, drenagem purulenta, abscesso ou sinais inflamatórios sistêmicos. Aqui, a combinação de deiscência da parede abdominal e febre fecha bem esse diagnóstico. Por isso, o gabarito é a alternativa E. Não é superficial porque não ficou restrita à pele e ao subcutâneo, e não é órgão/cavidade porque o enunciado descreve a parede abdominal, ou seja, a incisão cirúrgica em profundidade.