Um paciente com diabetes mellitus foi atendido com quadro de emergência hiperglicêmica apresentando confusão mental, náusea, hiperpneia e os seguintes resultados: glicemia = 300 mg/dL, pH = 7,20, bicarbonato sérico = 12 mEq/L, cetonúria e Ânion-gap = 13mEq/L. Esses sinais e sintomas são característicos de um quadro de:
- A)cetoacidose diabética leve;
Errada, porque os valores de pH e bicarbonato estão mais alterados do que o esperado para cetoacidose diabética leve.
- B)cetoacidose diabética grave;
Errada, porque o quadro é grave clinicamente, mas os critérios laboratoriais não atingem a faixa de cetoacidose diabética grave.
- C)cetoacidose diabética severa;
Errada, porque a acidose não está intensa o suficiente para ser classificada como severa/grave.
- D)cetoacidose diabética moderada;
Correta, pois pH 7,20 e bicarbonato 12 mEq/L se enquadram na cetoacidose diabética moderada.
- E)síndrome hiperglicêmica hiperosmolar.
Errada, porque a síndrome hiperglicêmica hiperosmolar costuma ter hiperglicemia muito maior e pouca ou nenhuma cetose.
Gabarito: D
Na cetoacidose diabética, o que manda no jogo é a gravidade da acidose: quanto menor o pH e o bicarbonato, mais preocupante o quadro. Em geral, a classificação da cetoacidose diabética usa pH, bicarbonato e estado mental para separar leve, moderada e grave. Aqui, o paciente tem glicemia elevada, cetonúria, hiperpneia, náusea e confusão mental, ou seja, um quadro típico de cetoacidose diabética, e não de síndrome hiperglicêmica hiperosmolar, que costuma ter hiperglicemia muito mais intensa e pouca ou nenhuma cetose. Os dados laboratoriais fecham melhor com cetoacidose diabética moderada: pH de 7,20 e bicarbonato de 12 mEq/L. Em linhas gerais, a forma leve costuma ter pH entre 7,25 e 7,30 e bicarbonato entre 15 e 18; a moderada fica entre pH 7,00 e 7,24 e bicarbonato entre 10 e 15; e a grave tem pH abaixo de 7,00 e bicarbonato abaixo de 10. Ou seja, os números da questão caem certinho na faixa intermediária. A hiperpneia também ajuda bastante, porque sugere respiração de Kussmaul, aquela tentativa do organismo de compensar a acidose eliminando CO2. A cetonúria confirma a produção de corpos cetônicos, que é a marca da cetoacidose. A confusão mental pode aparecer em quadros mais importantes e reforça a necessidade de atenção, mas isoladamente não empurra o caso para a categoria grave se o pH e o bicarbonato não estiverem tão baixos. Então, o gabarito é a letra D porque os critérios clínicos e laboratoriais apontam para cetoacidose diabética moderada. Em prova, a banca costuma cobrar exatamente isso: reconhecer a faixa de pH e bicarbonato e não se deixar distrair pelo valor da glicemia, que aqui está alta, mas não tão extrema a ponto de sugerir o outro grande emergencial hiperglicêmico.