Uma senhora de 68 anos sofreu atropelamento, com fratura exposta e dilaceração do MID, fratura MSE e quadril, e corte profundo na cabeça. Nos primeiros minutos após o acidente estava responsiva, consciente, informou seu nome e que fazia uso de anti-hipertensivo. O socorro demorou cerca de 40 minutos e, quando chegou, a senhora já apresentava diminuição no nível de consciência, resposta verbal confusa, abertura ocular somente após pressão no leito ungueal, flexão anormal dos MMSS e pupilas fotorreagentes. De acordo com a pontuação obtida na escala de coma de Glasgow, essa paciente apresenta trauma:
- A)leve;
Errada, porque trauma leve na Glasgow corresponde a 13 a 15 pontos, bem acima da pontuação do caso.
- B)brando;
Errada, porque 'brando' não é a classificação-padrão da Glasgow usada nas provas, e o quadro descrito não é leve.
- C)moderado;
Certa, porque a soma dos itens da Glasgow é 9 pontos, o que define trauma moderado.
- D)grave sem necessidade de intubação;
Errada, porque trauma grave fica entre 3 e 8 pontos e a necessidade de intubação não faz parte da classificação pedida.
- E)grave com necessidade de intubação.
Errada, porque 9 pontos não caracteriza trauma grave pela Glasgow, ainda que em alguns casos a via aérea precise de avaliação.
Gabarito: C
A escala de coma de Glasgow avalia três respostas: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. Quanto menor a pontuação, maior a gravidade do trauma cranioencefálico, e a classificação mais usada é: leve de 13 a 15, moderado de 9 a 12 e grave de 3 a 8. Em provas, a banca costuma montar o caso com detalhes de atendimento inicial e sinais neurológicos para ver se voce soma os pontos com calma, sem cair no susto do enunciado. Neste caso, a paciente apresenta abertura ocular somente após pressão no leito ungueal, o que corresponde a 2 pontos. A resposta verbal confusa vale 4 pontos. A flexão anormal dos membros superiores corresponde a 3 pontos na resposta motora. Pupilas fotorreagentes ajudam na avaliação neurológica, mas não entram na soma da Glasgow. Somando: 2 + 4 + 3 = 9 pontos. Isso classifica o trauma como moderado. Por isso o gabarito é a letra C. A paciente está neurologicamente pior do que no início, mas ainda não entrou na faixa de coma grave pela Glasgow. Um detalhe clássico: intubação não é decidida só pela pontuação da Glasgow, embora traumas graves frequentemente exijam via aérea protegida. Aqui, a pergunta quer apenas a classificação do trauma pela escala, então o raciocínio certo é a soma dos pontos.