Ao administrar medicamentos, o profissional de enfermagem deve ter conhecimentos farmacológicos e estar atento aos efeitos adversos relacionados às interações medicamentosas. Sendo assim, o uso de digoxina com captopril pode causar:
- A)aumento do risco de arritmias cardíacas;
Errada, porque a combinação não é conhecida principalmente por aumentar arritmias de forma direta, e sim por alterar potássio e níveis de digoxina, o que pode levar à toxicidade.
- B)aumento da condutibilidade e do inotropismo negativo;
Errada, porque captopril não é associado a aumento da condutibilidade nem a inotropismo negativo nessa interação com digoxina.
- C)aumento do risco de intoxicação digitálica, devido à diminuição da concentração sérica de potássio;
Errada, porque a lógica apresentada está invertida: a toxicidade digitálica se relaciona mais com hipocalemia, não com diminuição do potássio causada por essa combinação.
- D)indução de hipercalemia e aumento da concentração da digoxina;
Certa, porque o captopril pode favorecer hipercalemia e elevar a concentração sérica de digoxina, aumentando o risco de toxicidade.
- E)bloqueio do efeito do captopril e aumento da pressão arterial.
Errada, porque o captopril não tem seu efeito bloqueado pela digoxina, nem essa associação leva ao aumento da pressão arterial.
Gabarito: D
A digoxina é um fármaco com margem terapêutica estreita, então qualquer interação pode virar problema rápido. Por isso, na prática de enfermagem, não basta só administrar: é preciso observar sinais clínicos, checar exames e ficar atento a associações que mexem com eletrólitos e função renal. No caso da digoxina com captopril, o ponto-chave é que o captopril pode aumentar a concentração sérica de digoxina e também favorecer hipercalemia, especialmente em pacientes com maior risco de alteração renal ou em uso de outros medicamentos que elevem potássio. Como a digoxina tem comportamento muito sensível ao equilíbrio eletrolítico, essa associação exige vigilância redobrada. A hipercalemia é importante porque o potássio interfere diretamente na ligação da digoxina à bomba Na+/K+ ATPase. Quando o potássio sobe, pode haver aumento da concentração sérica de digoxina e maior risco de toxicidade, com manifestações como náuseas, vômitos, bradicardia, confusão e arritmias. Na prática, o enfermeiro deve observar pulso, ECG, sinais de intoxicação e resultados laboratoriais. Por isso, o gabarito é a letra D: o uso conjunto pode induzir hipercalemia e aumentar a concentração da digoxina. É a clássica situação em que o corpo avisa antes do caos, e o cuidado de enfermagem entra justamente para não deixar a farmacologia fazer surpresa.