O Nascer no Ceará é um programa da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará em parceria com a SOCEGO (Associação Cearense de Ginecologia e Obstetrícia) para estruturar a rede de assistência a mulheres e bebês em todo o estado, incluindo a assistência ao pré-natal, parto, recém-nascido e planejamento reprodutivo, com o objetivo de reduzir as taxas de mortalidade de mães e bebês no Estado do Ceará. As afirmativas a seguir indicam condutas assistenciais coerentes com esse tipo de programa, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A estratificação de risco da gestante em habitual e alto é ampliada com a categoria de vulnerabilidade, avaliada pelas características individuais e condições sociodemográficas desfavoráveis da gestante, entre outros.
Certa: a classificação de risco e vulnerabilidade da gestante é mesmo ampliada por fatores individuais e sociodemográficos desfavoráveis.
- B)O acompanhamento pré-natal assegura o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas.
Certa: o pré-natal deve acompanhar a gestação, incluir ações educativas, preventivas e também aspectos psicossociais.
- C)O diagnóstico das síndromes hipertensivas em gestação por profissional capacitado preserva a saúde materna e reduz a morbimortalidade infantil, em virtude da prematuridade que acarretam.
Certa: hipertensão na gestação precisa ser diagnosticada cedo para reduzir riscos maternos e a prematuridade relacionada aos desfechos neonatais.
- D)As infecções em gestação devem ser diagnosticadas o quanto antes, como é o caso da sífilis, do rastreio de HIV no pré-natal e da sorologia para toxoplasmose, por exemplo.
Certa: o rastreio e o diagnóstico precoce de infecções na gestação, como sífilis e HIV, são condutas esperadas na assistência pré-natal.
- E)A boa assistência ao parto resulta no alivio do processo para a parturiente, encurtando sua duração, pela utilização de fluidos intravenosos e medicamentos antiespasmódicos.
Errada: a boa assistência ao parto não se resume a fluidos intravenosos e antiespasmódicos, e essas medidas não são apresentadas como regra para encurtar o parto.
Gabarito: E
Esse tipo de questão cobra a lógica da rede materno-infantil: pré-natal bem feito, identificação precoce de riscos, rastreio de infecções e assistência segura ao parto. O programa Nascer no Ceará segue essa linha, que também aparece nas diretrizes do Ministério da Saúde para atenção à gestante e ao recém-nascido: cuidar cedo, classificar risco, acompanhar de perto e evitar complicações que podem virar tragédia depois. No pré-natal, não basta medir pressão e pedir exame. A assistência inclui acolhimento, avaliação clínica, orientação educativa, aspectos psicossociais e ações preventivas. Também é importante estratificar risco e vulnerabilidade, porque nem toda gestante entra no mesmo pacote: algumas têm condições sociais, clínicas ou familiares que exigem cuidado ampliado. As infecções gestacionais e as síndromes hipertensivas são clássicas causas de morbimortalidade materna e neonatal, então a vigilância precisa ser precoce. Sífilis, HIV e toxoplasmose entram no radar porque o diagnóstico e o tratamento oportunos reduzem muito os desfechos ruins. Hipertensão na gestação também merece identificação rápida, porque pode evoluir com prematuridade, sofrimento fetal e risco materno grave. A alternativa errada é a que descreve assistência ao parto com uso de fluidos intravenosos e antiespasmódicos como se isso, por si só, aliviasse o processo e encurtasse a duração do parto. Isso não é diretriz padrão de boa assistência obstétrica. O cuidado adequado no parto é centrado em vigilância, apoio contínuo, alívio não farmacológico da dor quando possível, intervenções baseadas em indicação clínica e respeito ao trabalho de parto fisiológico, conforme as recomendações do Ministério da Saúde e boas práticas obstétricas.